sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Energia que vem dos resíduos
Emerson F. Tormann15:07

O alto custo para captação do biogás não impede a expansão de empresas especializadas em transformar o lixo em eletricidade limpa no Brasil


usina Itajaí Biogás e Energia


Embora de forma tímida, a geração de energia elétrica a partir da queima do lixo vem avançando no Brasil. Só a Solvi Valorização energética (SVE), que atua no desenvolvimento energético limpo e sustentável com foco em construção e operação de térmicas a biogás de aterro sanitário, investiu R$ 200 milhões na montagem de três usinas no país. Atualmente, a companhia tem 28,5 MW de potência instalada - 20 MW na Termoverde Salvador, na Bahia, e 8,55 MW na Biotérmica Recreio, construída na cidade de Minas do Leão (RS).Juntas produzem 180 mil MWhI ano, energia suficiente para abastecer uma cidade com 260 mil pessoas. Até o início de 2016, essa capacidade irá duplicar com a inauguração de uma nova térmica em construção, a Termoverde Caieiras, em São Paulo, com capacidade para produzir 30 MW - que poderá atender a um município de 580 mil habitantes. "Será uma das maiores térmicas desse gênero do mundo", ressalta Carlos Bezerra, diretor da companhia.

Desenvolvida em Itajaí (SC) pela união da lMalucelli Ambiental, Tertium Participações e Ambiental Saneamento, a usina Itajaí Biogás e Energia foi projetada de forma modular. Inicialmente, investiram-se R$ 7,5 milhões, para uma geração fixa de 1,06 MW, mas o projeto deverá atingir até 3,18 MW com as ampliações previstas para o ano que vem. Cada MW instalado adicional deverá custar R$ 3 milhões, informa Eduardo O'Reilly Cabral Covas Barrionuevo, diretor da JMalucelli Ambiental.

A capacidade de produção inicial é de 24.000 kWh/dia. "Com a energia gerada nesta primeira fase, com potência de 1 MW, são atendidas 14,5 mil pessoas", diz o executivo. A energia é entregue no sistema de distribuição da Celesc, concessionária local em Santa Catarina, e vendida no mercado livre para um consumidor privado. A operação da usina é simples e comandada por apenas dois técnicos: o biogás é gerado naturalmente pelo aterro sanitário por meio da decomposição da matéria orgânica ali depositada. Depois de captado e levado até a usina de biogás, passa por um pré-tratamento, sendo então encaminhado para o grupo gerador, que produz a energia e envia para o sistema de distribuição da Celesc.

As perspectivas de crescimento nesse campo são muito boas, avaliam os empresários. De acordo com dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Públicas e Resíduos Especiais (Abrelpe), o Brasil tem potencial para gerar 1,3 GW de energia elétrica a partir dos resíduos sólidos urbanos. Isso equivale a um fornecimento adicional de 932 mil MWh/mês, o suficiente para abastecer 6 milhões de residências ou mais de 20 milhões de pessoas. De acordo com a Põyre, multinacional da área de consulto ria e engenharia especializada na área de energia, o Brasil gera 170 mil toneladas de lixo/dia, dos quais 70% vão para lixões não controlados e apenas 30% para aterros sanitários ou controlados. Somente na cidade de São Paulo são produzidos diariamente 12 mil toneladas de lixo doméstico. "Se considerarmos que é possível produzir 20 MW com mil toneladas de lixo doméstico por dia, a incineração direta dos resíduos domésticos produzidos na capital paulista tem o potencial de gerar 240 MW, quatro a cinco vezes mais do que a geração com gás de aterro e suficiente para atender 1 milhão de habitantes", analisa Lucia Coraça, diretora de energia e gerenciamento de projetos da Pôyre.

Utilizar o biogás de aterros como fonte geradora de energia, portanto, resolve dois grandes problemas: dá um destino sustentável ao crescente volume de biogás gerado pela disposição dos resíduos sólidos, o que reduz a emissão de gás de efeito estufa (GEE), e contribui com a diversidade da matriz energética brasileira, atendendo à demanda por eletricidade limpa. Mas há um longo caminho a percorrer. "Uma das maiores dificuldades para a implantação de empreendimentos desse tipo é o alto investimento necessário para a captação do biogás produzido pelo aterro sanitário, tratamento, produção de energia elétrica nos motores geradores e conexão com o sistema de distribuição, que exige a construção de grandes subestações e/ou linhas de transmissão de energia elétrica", explica Bezerra, da Solvi.

A foco da multinacional GE Power & Water, fabricante de soluções para a área de energia, é resolver outro grande desafio tecnológico: a produção dos equipamentos no Brasil. A empresa fornece no país os motogeradores Jenbacher, produzidos na Áustria, que podem ser utilizados em aterros sanitários e em estações de tratamento de esgoto para produção de energia a partir do lixo. Segundo Rickard Schafer, gerente de vendas da GE, a empresa já tem contrato de fornecimento dos motores com a Estre Ambiental, operadora de aterro sanitário de Guatapará, na região de Ribeirão Preto (SP), e com a Solvi, para equipar o aterro sanitário gaúcho de Minas do Leão. Para a Estre, a GE forneceu três motores Jenbacher J420, de 1,4 MW cada um, que abastem 13 mil residências. No projeto em Minas do Leão, são seis motores de 1,4 MW de potência cada um.

Fonte: Valor Econômico

Aneel publica plano para reduzir risco hidrológico
Emerson F. Tormann14:48

Medidas para repactuação serão deliberadas na terça-feira 


Alto Tietê corre risco de entrar em colapso


A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) publicou ontem a aguardada nota técnica sobre a proposta de repactuação do risco hidrológico (medido pelo fator GSF, na sigla em inglês), mantendo o entendimento de que são necessários mecanismos diferentes para lidar com os contratos de energia vendida no ambiente de contratação regulada (ACR) e do ambiente de contratação livre (ACL).

A proposta deve ser deliberada na reunião ordinária da agência, marcada para terça-feira.

Apesar da confiança na adesão das empresas demonstrada pelo relator do processo, o diretor Tiago Correia, o Valor apurou que muitos geradores ainda não estão dispostos a abrir mão das liminares em troca da repactuação.

A Aneel apresentou o plano ontem cedo a um grupo de executivos e representantes de empresas. Miguel Setas, presidente da Energias do Brasil, disse em teleconferência que a proposta da Aneel mostrou "evolução positiva".

Segundo ele, depois de quatro fases da audiência pública, as mudanças na proposta final foram positivas, mas a companhia ainda não tomou uma decisão final se vai aderir à proposta.

A companhia de origem portuguesa vai analisar caso a caso, usina a usina, dentro das novas regras, para depois decidir se vai aceitar. "Considero que há a possibilidade de que a proposta da Aneel ainda seja revisada em sua versão final, não excluo essa possibilidade", afirmou.

Procuradas pelo Valor, grandes companhias geradoras não responderam, por ainda não terem avaliado o conteúdo da nota técnica. A CPFL Energia disse estar acompanhando, mas reforçou que continua "confiante" de que o resultado final das discussões irá convergir para uma proposta que trate de forma adequada a questão.

O documento manteve a diferença entre o prêmio de risco a ser pago pela energia contratada no ACR e a do ACL, uma vez que este não cuida de repactuação via transferência de risco, mas via transferência de proteção (hedge).

No mercado regulado, o risco repactuado será coberto pela conta das bandeiras tarifárias.

Antes, a agência estabelecia um prêmio de risco proporcional aos preços dos contratos. Na nova proposta, foi estabelecida uma curva em que os geradores vão escolher se vão transferir de 89% a 100% do risco hidrológico aos consumidores, mediante o pagamento de um prêmio de risco que será depositado na conta das bandeiras. Esse prêmio vai de R$ 0,68 por megawatt-hora (MWh) (para quem transfere 89% do risco) a R$ 9,31 por MWh (para 100%).

A Aneel manteve ainda o entendimento de que só serão elegíveis ao mecanismo do ACR a energia vinculada aos contratos com vigência mínima até dezembro de 2016 e com lastro identificável e exclusivo oriundo de uma usina hidrelétrica.

Com isso, os demais contratos não estariam excluídos da repactuação, mas obrigados a aderir por meio das regras do mercado livre.

Os agentes terão de aportar um prêmio de risco na conta de energia de reserva, além de contratar voluntariamente a reserva da capacidade de geração - em contratos de energia de reserva.

A proposta para o mercado livre continuou sendo muito criticada, afirmou uma fonte próxima da situação, que calcula que a adesão nesse segmento será consideravelmente fraca.

A nota técnica, com 135 páginas entre a proposta e documentos anexos, servirá como base para que os diretores da agência elaborem seus votos sobre a proposta.

Enquanto a Aneel se prepara para aprovar a resolução que trata da questão, o Congresso ainda debate a Medida Provisória (MP) 688, que estabelece as condições para a repactuação do risco hidrológico e para a realização do leilão de relicitação de 29 hidrelétricas marcado para 25 de novembro.

Na teleconferência de ontem, Setas disse ainda que a Energias do Brasil não deve participar da disputa, pois seu foco é na execução dos projetos existentes.

Fonte: Valor Econômico

Gasolina e luz devem subir mais este ano
Emerson F. Tormann14:26

Banco Central projeta alta de 15% e de 51,7% para o combustível e a energia elétrica, respectivamente. Previsão é de elevação de 5,8% nas tarifas em 2016


banco-central-eleva-projecao-de-alta-da-conta-de-luz-e-gasolina


O consumidor precisa preparar o bolso porque as tarifas administradas pelo governo devem aumentar ainda mais até dezembro. Pelas contas do Banco Central, os preços controlados pelo Executivo vão subir 16,9%, ante uma previsão de alta de 15,2% em setembro. A elevação das expectativas da autoridade tem como base a estimativa de que em 2015 a gasolina encarecerá 15%, o gás de botijão 19,9% e a energia elétrica 51,7%.

Para 2016, a autoridade monetária calcula uma variação de 5,8%. Todas as projeções fazem parte da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

A disparada das tarifas administradas neste ano ocorreu porque o governo Dilma Rousseff, durante todo o primeiro mandato, represou os reajustes para segurar a inflação, que já dava sinais de descontrole. A leniência no combate a carestia era vista pelo Executivo como uma forma de impulsionar o Produto Interno Bruto (PIB). Mas o que ocorreu foi exatamente o contrário. Ano a ano, a geração de riquezas no país desabou, os gastos públicos aumentaram e a dívida do país chegou ao nível de países em crise, próxima de 70% do PIB.

Conforme o índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até outubro, a gasolina encareceu 11,3% - Após a Petrobras anunciar o último reajuste, em 29 de setembro, os postos de combustível não esperaram os estoques acabarem para alterar o valor nos letreiros. No caso do gás em botijão, o IPCA já acumula variação de 20,81%, acima da projeção do BC, e a energia elétrica elevação de 48,91%.

Variações
Na avaliação do economista-chefe da TOV Corretora, Pedro Paulo Silveira, os reajustes da energia elétrica ocorreram em maior intensidade no início do ano e não devem exercer uma pressão tão elevada no próximo ano. Entretanto, para ele, a conta de luz pode voltar a subir se o volume de chuvas não for suficiente para encher os reservatórios e obrigar o governo a religar termelétricas. "A geração térmica é mais cara e isso é repassado para os consumidores. Apesar disso, a estimativa do BC de que os preços administrados devem variar 5,8% está em linha com as expectativas do mercado", comentou.

Para o economista-chefe da INVX Global Partners, Eduardo Velho, a inflação de preços administrados ainda será uma dor de cabeça para os consumidores. Nas contas dele, as tarifas e os serviços controlados pelo Executivo tendem a subir 10% no próximo ano.

Fonte: Correio Braziliense

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Lâmpadas de LED vão ganhando as avenidas
Emerson F. Tormann21:45

Lâmpadas de LED vão ganhando as avenidas - Brasília / DF


Considerada essencial para o bem estar da população local e também para sua segurança, a iluminação pública nas cidades brasileiras passou há pouco tempo a ser responsabilidade das prefeituras. Para pagar a conta de fornecimento de energia elétrica, manutenção das luminárias e lâmpadas e expansão das redes, os governos municipais contam com a Contribuição de Iluminação Pública (CIP) cobrada de moradores e empresas sediadas no município.

Algumas cidades conseguem, pelo menos de acordo com os dados oficiais, correr para consertar falhas na iluminação de ruas e praças. É o caso, por exemplo, de Campina Grande, na Paraíba. Com 35 mil pontos de iluminação pública, em 95% ou 97% dos casos o serviço da prefeitura consegue substituir ou reparar problemas na iluminação em até 48 horas.

No Rio de Janeiro, onde há 450 mil pontos de iluminação, o prazo estabelecido para fazer os consertos é de 24 horas, o que acontece em 80% das vezes. O restante é feito em até 72 horas. Já em Curitiba, cidade muitas vezes considerada modelo e onde há 160 mil pontos, o prazo se estende muito: uma lâmpada queimada ou um poste abatido por um veículo, por exemplo, levam entre 7 e 24 dias para voltar a fornecer luz.

Campina Grande arrecada entre R$ 1,3 milhão e R$ 1,4 milhão com a CIP todos os meses. Desse total, consegue investir, depois do pagamento das contas, de R$ 600 mil a R$ 700 mil por mês. Cerca de 4% dos pontos da cidade já são providos com lâmpadas LED.

Apesar de uma luminária com LED custar entre três e cinco vezes mais do que uma comum, a economia que representa compensa. E o investimento é pago em pouco tempo. A intenção, diz o secretário de obras André Agra, é ter 30% da cidade iluminada dessa forma daqui a cinco anos. "A tecnologia vai ficar mais acessível e contamos com a baixa do dólar", afirma. Com a disputa no mercado, há queda de cerca de 30% e 40% nas licitações para novas obras.

Com superávit, decidiu-se que não era interessante para a cidade fazer uma parceria público-privada (PPP) para modernizar seu parque de iluminação pública. "Chegamos à conclusão de que em cinco anos conseguiríamos, com recursos próprios e sem nos endividarmos, fazer isso", afirma Agra.

Já em Cuiabá, a prefeitura acerta uma PPP para a troca das lâmpadas de vapor de mercúrio ou metálico pela LED. Ela deve começar em março de 2016. Atualmente a cidade gasta R$ 1,5 milhão por mês, de uma arrecadação de R$ 3 milhões, com a energia elétrica necessária para iluminar suas ruas e praças.

O uso das lâmpadas LED pode levar a uma economia de 50% desse valor. "Para usar tecnologia mais avançada, não teríamos condições de fazer esse investimento, que inicialmente superaria R$ 80 milhões a R$ 100 milhões em três anos", diz José Roberto Stopa, secretário de serviços urbanos do município.

Na capital paranaense, a prefeitura arrecadou em 2014 R$ 69 milhões com a contribuição. Desse total, R$ 30 milhões foram para pagar o fornecimento de eletricidade. O restante, como nas outras cidades, é aplicado na manutenção e na expansão da rede. Este ano, a previsão é de que a arrecadação chegue a R$ 79 mil, mas os gastos devem ser divididos meio a meio entre energia elétrica e os reparos.

A conta de energia vem subindo e o vandalismo com a rede pública vem aumentando muito. A prefeitura assim terá menos recursos para aplicar na expansão e modernização, diz Fabio Ribeiro de Camargo, diretor de iluminação pública de Curitiba. Só em manutenção, empregam-se R$ 7,5 milhões por ano. A ampliação da rede em novos conjuntos habitacionais, por exemplo, neste ano deve demandar até R$ 2 milhões.

O plano de investimento elaborado por Camargo, para 2015 e 2016, abrange 11 diretrizes, onde serão investidos R$ 91,6 milhões.

A CIP gera aproximadamente de R$ 240 milhões por ano para o Rio de Janeiro, dos quais a prefeitura consegue investir R$ 40 milhões para modernizar os pontos existentes e expandir a rede. A conta da eletricidade, como para outros, vem causando revolta. A cidade pagava R$ 10 milhões por mês no início do ano. Hoje, são R$ 17 milhões. "É um absurdo", reclama Julio Morandi, engenheiro e chefe de gabinete da Rioluz, Companhia Municipal de Energia e Luz.

Já foram instaladas cerca de 4 mil pontos de lâmpadas LED. O foco está em túneis. Dos 19 existentes na cidade, três contam com a nova lâmpada, e as obras em outros três estão em execução. No curto prazo, o objetivo é melhorar a iluminação em áreas como a da Olimpíada, locais de afluxo turístico e praias.

Fonte: Valor Econômico

Cuiabá testa energia solar em luminárias
Emerson F. Tormann13:44


Aos poucos as cidades brasileiras começam a experimentar o uso de fontes limpas de energia para iluminar suas ruas e parques. Com sol em abundância, em Cuiabá foram aprovadas emendas para que se utilize energia solar nas luminárias de parques. Experimentalmente, neste ano, devem ser instalados painéis solares em duas praças. A ideia é analisar se há viabilidade e se é conveniente usar esse tipo de energia. "Vamos experimentar em locais com disponibilidade de espaço para fazer a instalação de energia solar", diz José Roberto Stopa, secretário de serviços urbanos da capital de Mato Grosso.

Quanto maior for o uso das novas tecnologias com fontes limpas, menor o custo dos projetos. A prefeitura de Cuiabá está fechando uma parceria público-privada (PPP) para fazer investimentos na rede de iluminação pública, e neste acordo está aberta a possibilidade de uso de novas tecnologias com fontes alternativas.

No Rio de Janeiro, a Companhia Municipal de Energia e Luz, Rioluz, também faz testes para a iluminação pública com células fotovoltaicas. E também com energia eólica, de acordo com o chefe de gabinete Julio Morandi. Também há o plano de usar dejetos para produzir eletricidade. " A Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) tem algumas áreas de com muito lixo para queimar", afirma.

Em termos de cuidados com o meio ambiente, o chefe de gabinete chama a atenção para o centro de logística reversa da Rioluz, onde todo o material retirado da iluminação pública passa por um processo de reaproveitamento. No ano passado, 16 mil luminárias foram recuperadas. Além das vantagens econômica e ecológica, também há a social, já que funcionários que por algum motivo não podem mais trabalhar na rede de iluminação, por dificuldades em subir em postes, por exemplo, podem ser remanejados para lá.

Em Campina Grande, a energia solar está sendo utilizada para aquecer a água em um condomínio popular de 4.100 unidades. "O nível de sol é muito alto e podemos produzir energia solar", diz o secretário de obras André Agra.


Fonte: Valor Econômico

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Projetos menores dominam licitações recentes do setor elétrico
Emerson F. Tormann12:18

Licenciamentos de grandes projetos na Região Norte têm demorado muito para serem liberados pelas autoridades ambientais


A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tem conseguido manter uma certa regularidade nos leilões de concessão do setor elétrico. Mas o perfil dos projetos mudou um pouco nos últimos anos. Na área de geração, com o esgotamento do potencial hidrelétrico nas Regiões Sul e Sudeste, o País teve de começar a explorar a Região Norte, extremamente sensível do ponto de vista ambiental. Os últimos licenciamentos enfrentaram grandes embates e demoraram muito tempo para ser liberados.

Para fugir dessas dificuldades, a solução tem sido leiloar projetos menores que consigam substituir as grandes hidrelétricas. A Usina de Tapajós, por exemplo, prevista para ser licitada em 2014 nem tem data para ir a leilão por causa de entraves ambientais. Outra aposta tem sido os projetos eólicos, que se revelaram um grande sucesso nos últimos anos. Em 2014, o País tinha 3,6 mil megawatts (MW) de energia eólica, o que representava 3% da matriz elétrica. Neste ano, até setembro, a capacidade já havia subido para 7,1 mil MW e a participação, para 5,1%.

No segmento de transmissão, o governo também tem feito leilões periódicos, mas os trechos ofertados não têm atraído muito os investidores. Na última disputa, apenas 4 de 11 lotes ofertados foram arrematados. Até o fim do ano, a Aneel planeja quatro leilões de geração e transmissão. Um deles será para licitar usinas antigas que não tiveram a concessão renovadas pelas regras da Medida Provisória (MP) 579.

Hoje, o Brasil tem 138 mil MW de potência instalada de várias fontes de energia, como hidrelétricas, termoelétricas, eólica e solar. O sistema de transmissão tem quase 125,7 mil quilômetros de extensão. / R.P.

Energia elétrica
  • 138 mil MW é a potência instalada.
  • 125,7 mil KM é a extensão do sistema de transmissão.
  • 66% é a participação das hidrelétricas.
  • 4.323 são os empreendimentos em operação.


Fonte: O Estado de S. Paulo

Nível dos reservatórios do Nordeste cai abaixo de 10%
Emerson F. Tormann12:12

Usina_Hidreletrica_de_Sobradinho-BA

O volume de água armazenada nos reservatórios da região Nordeste caiu no final de semana abaixo de 10%, que é o nível considerado de segurança. Dados divulgados ontem pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontam que os reservatórios registravam, no domingo, o equivalente a 9,56% da capacidade de armazenamento. Na quinta-feira, os reservatórios estavam com 10,05% da capacidade de reserva.

A delicada situação de armazenamento de água no Nordeste é agravada pela ocorrência do El Nino, um fenômeno causado pelas temperaturas acima da media das águas no Oceano Pacífico. Uma de duas características é o maior volume de chuvas na parte sul da América do Sul, incluindo o Sul do Brasil, e menos chuvas nas regiões Norte e Nordeste.

Diante da incidência do fenômeno com características mais fortes neste ano, situação que deve se manter ate o primeiro trimestre de 2016, o ONS trabalha com previsões pessimistas para a situação dos reservatórios. Na sexta-feira, o operador projetou que o nível de chuvas no Nordeste durante o mês de outubro serão equivalentes a apenas 29% da média histórica para o mês. No caso da região Sul, a previsão para outubro é equivalente a 229% da média. Com isso, o nível dos reservatórios do Nordeste deve alcançar um patamar de 8,5% no dia 31 de outubro, cm contraste aos 97,2% previstos para o Sul.

O primeiro alerta de que a marca de 10% de capacidade dos reservatórios seria rompida cm outubro foi feito no dia 25 de setembro, quando o ONS apresentou a projeção preliminar de chuvas para o mês. Na oportunidade, o operador trabalhava com projeção de volumes equivalentes a 42% da media histórica para o mês.

Fonte: O Estado de S. Paulo

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

FT Sistemas desenvolve helicóptero não tripulado para uso civil e militar
Emerson F. Tormann16:41


Nei Brasil, presidente da FT Sistemas, prevê realizar o primeiro voo em 2016
e obter a certificação da Anac em 2018


A FT Sistemas, uma das principais referências no Brasil em aeronaves remotamente pilotadas, também conhecidas como veículos aéreos não tripulados (vants) ou drones, desenvolveu um helicóptero não tripulado, capaz de desempenhar missões variadas, desde a inspeção de estruturas terrestres críticas (redes elétricas, oleodutos e gasodutos) ao monitoramento ambiental e de fronteiras a um custo 5% menor que o de um helicóptero convencional.

Homologada como Empresa Estratégica de Defesa (EED), a FT investiu R$ 9,3 milhões no desenvolvimento do veículo, que tem o primeiro voo previsto para o segundo semestre de 2016. O processo de certificação do helicóptero junto à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) deve ser concluído em 2018.

Batizado de FT-X2, o helicóptero não tripulado tem entre seus parceiros de desenvolvimento a Celesc e o Instituto Nacional de Energia Elétrica (Inerge). "O FT-X2 é indicado para fazer a inspeção das redes mais remotas e com a frequência exigida pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) de forma mais eficiente e menos custosa", afirma o presidente da FT, Nei Brasil.

Com apenas dois metros de comprimento e 90 quilos, a aeronave tem capacidade para realizar operações militares embarcadas na Amazônia Azul, combate ao contrabando e tráfico de drogas e aquisição de alvos para sistemas de artilharia. Veículos similares a este, segundo Brasil, já estão sendo utilizados por empresas como a DHL, na Alemanha, para transporte de cargas expressas de pequeno porte e alto valor agregado, como remédios e pedras preciosas.

O FT-X2 tem os rotores (componente que dá sustentação ao voo) na configuração "Flettner", que num helicóptero forma um conjunto de dois rotores, girando em sentidos opostos. Com esse arranjo o helicóptero funciona sem um rotor de cauda, o que resulta em economia de energia. "Os helicópteros equipados com rotores Flettner possuem alta estabilidade e poderosa capacidade de elevação", afirma o presidente. O rotor do FT-X2 é fornecido por uma empresa parceira da Alemanha e o motor por uma companhia inglesa.

No Brasil, segundo o executivo, o FT-X2 também está apto para atender à necessidade que o Exército tem de um aparelho com 60 a 70 quilômetros de alcance, para fazer a vigilância de fronteiras com uma autonomia de até 18 horas.

A FT-Sistemas participa dos principais projetos de vants militares do Brasil e em parceria com o Centro Tecnológico do Exército (Ctex) desenvolveu seus primeiros veículos não tripulados, como o VT-15 e o sistema mini-vant Horus FT-100, que foi exportado para um país da África, no ano passado.

A empresa também é responsável pelo desenvolvimento do sistema de controle de voo, autopiloto e guiamento do Projeto Vant, do Ministério da Defesa, em cooperação com as Forças Armadas Brasileiras.

Com apenas 18 funcionários, a FT é pioneira no Brasil no desenvolvimento de vants. Criada em 2003, dentro de uma incubadora de empresas de base tecnológica ligadas ao Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a FT prevê receita de R$ 4 milhões este ano, mesmo montante registrado em 2014.

"Com o novo produto esperamos também alavancar as exportações e alcançar faturamento entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões nos próximos dois anos", afirmou. Além do mercado de defesa e segurança, o executivo acredita que os vants fabricados pela empresa poderão atender a grande demanda que existe hoje nas empresas privadas do setor de agribusiness, óleo e gás, monitoramento de rodovias, trânsito e lixões, fiscalização de obras, entre outras.

No último dia 21 a empresa assinou um convênio com o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) para o desenvolvimento e pesquisa de aplicação desses equipamentos no manejo agrícola e pecuário. A FT, segundo Brasil, vai disponibilizar sua família de vants para o monitoramento de lavouras de soja e milho, realizando a coleta de dados para pesquisas que auxiliem na redução de custos e aumento de ganhos para o produtor rural.

"O FT-X2 também poderá ser utilizado em agricultura de precisão. Temos uma versão para essa aplicação, com capacidade para carregar 40 litros de produtos para pulverização", afirmou. São culturas onde a aviação agrícola não consegue atuar, explicou o executivo.

Fonte: Valor Econômico 

Bandeiras não cobrem o rombo das distribuidoras
Emerson F. Tormann15:50

Consumidores pagaram R$ 9,6 bilhões extras até agosto, mas contas das companhias não fecham, o que as obriga a captar recursos para cumprir com obrigações financeiras


As bandeiras tarifárias, cobradas nas contas de luz a partir deste ano, arrecadaram R$ 9,6 bilhões dos consumidores até agosto, dos quais quase metade (R$ 4,2 bilhões) foi utilizada para cobrir custos das distribuidoras decorrentes de uma menor produção das hidrelétricas devido à seca, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) compilados pela Reuters.

Ainda assim, as empresas do setor de distribuição de energia têm se queixado à Aneel de que as tarifas ainda não cobrem todos os custos - o que as obriga a captar recursos no mercado para cumprir com obrigações financeiras.

As bandeiras foram implementadas a partir de janeiro para apoiar as distribuidoras, que têm sofrido com uma defasagem nas tarifas cobradas dos consumidores, puxada por uma elevação de custos causada pela menor geração hídrica e pela compra de energia de termelétricas, que são bem mais caras.

"Esse é um problema generalizado no setor, você tem um acúmulo. As distribuidoras estão tendo que liquidar (compromissos financeiros) no curto prazo, mas elas simplesmente não têm caixa para isso", afirmou o sócio-diretor da LMDM Consultoria, Diogo Mac Faria.

A defasagem é contabilizada numa "conta virtual", conhecida no setor como CVA, e repassada para os consumidores no reajuste tarifário de cada distribuidora. Mas as empresas têm alegado que a conta ficou pesada demais para ser carregada até que a Aneel autorize as elevações nas tarifas.

O diretor de Regulação da distribuidora Bandeirante, Donato Filho, disse na semana passada, durante reunião na Aneel, que a empresa acumula déficit tarifário de R$ 587 milhões neste ano, que começa a ser repassado aos consumidores a partir de um reajuste recém-aprovado.

Na mesma reunião, o diretor de Relações Institucionais da Cemig, Luiz Fernando Rolla, disse que a estatal mineira acumula uma defasagem de R$ 1 bilhão nas tarifas de sua unidade de distribuição.

A Bandeirante, que pertence à EDP Energias do Brasil, acredita que a defasagem seguirá no radar do setor em 2016, uma vez que a Aneel não está levando em conta, no cálculo das tarifas, todos os custos que as empresas terão no próximo ano.

Critério
Segundo o diretor de Regulação, Donato Filho, a agência calculou o reajuste de suas tarifas levando em conta um preço baixo para a energia de hidrelétricas antigas, que serão licitadas pelo governo federal em novembro. O preço pelo qual as usinas poderão vender energia nesse leilão, no entanto, foi elevado recentemente para viabilizar a cobrança de R$ 17 bilhões em bônus de outorgas ao governo federal, com o objetivo ajudar na arrecadação da União.

Donato Filho, da Bandeirante, estimou que, se considerada uma energia mais cara dessas usinas e o impacto de atrasos na operação das hidrelétricas de Belo Monte, Jirau e Teles Pires, o déficit tarifário do setor de distribuição como um todo pode atingir R$ 3,5 bilhões em 2016. "É altamente impactante para a empresa. Vamos ter déficit tarifário crescente, com custo cada vez mais alto para captação de recursos no mercado", disse Donato.

Faria, da LMDM Consultoria, destacou ainda que o problema pode piorar devido a uma ampla judicialização no mercado de energia. Atualmente, há uma disputa nos tribunais sobre quem deve pagar contas decorrentes do déficit de geração das hidrelétricas e encargos que custeiam o acionamento de termelétricas e subsídios diversos do setor.

Se as decisões judiciais se mantiverem, parte desses custos pode ter que ser bancada pelas distribuidoras, ampliando a defasagem tarifária.

"O problema é que cada dia tem um descompasso novo. Enquanto o mercado não se acalmar com relação a essas liminares, não é possível prever. O mercado vive um momento em que o que vai acontecer amanhã depende de quem tem o melhor advogado, e não mais da regulação", lamentou o consultor.

Ideias luminosas por um futuro melhor
Emerson F. Tormann15:40



Do Sol, à Lua passando pelo fogo até chegar aos semicondutores ultramodernos: a história humana está, intrinsecamente, ligada à luz. Neste programa vamos conhecer cientistas e engenheiros que estão a iluminar o futuro.

Recriar a luz solar com LED

A luz do Sol traz conforto e segurança. Sentir esta luz vinda da estrela central do Sistema Solar é fundamental. Os espaços sem janelas fazem-nos, em geral, sentir mal. Mas neste centro de radiocirurgia, em Milão, não há janelas. E no exterior está a chover. O que vemos é uma ilusão, incrivelmente realista, da luz solar. Sem ela, o espaço volta à penumbra:

“Este é um espaço fechado, protegido, devido à radiação. O que pode dar uma sensação de claustrofobia aos pacientes que aqui entram. Esta janela cria uma luz, extremamente realista. ​​Como se fosse uma janela verdadeira. E isso provoca uma sensação de bem-estar, de tranquilidade”, explica o neurocirurgião Piero Picozzi, do Humanitas Research Hospital.

Por detrás desta janela esconde-se um sistema ótico, resultado de uma investigação europeia e que custa o preço de um carro novo, ainda que não dos mais caros. Este sistema de iluminação LED já ganhou vários prémios. O responsável pelo projeto ‘Deeplite’, Paolo Di Trapani, da Universidade de Insubria, explica o processo:

“Como criamos esta janela virtual? Este dispositivo tem um projetor LED que tem duas características, a primeira garante o aspeto espectral da luz do sol, a segunda cria um feixe que nos dá as sombras, de forma realista. Dentro deste dispositivo temos sistemas óticos que permitem que o observador veja a imagem do Sol e do céu, a uma distância infinita. O objetivo deste projeto é desenvolver uma tecnologia, suficientemente, compacta que possa ser instalada não só em casa ou num quarto de hospital, mas num elevador, cabina do navio, comboio, avião, ou em qualquer lugar.”

Os pintores recriam os efeitos óticos que o Sol cria nas superfícies. Aqui pretende-se o mesmo, fazendo com que esta luz pareça natural, para isso é preciso compreendê-la e reproduzi-la, é fundamental obter a cor certa. O Professor Di Trapani conseguiu recriar o processo que torna o nosso céu azul:

“A atmosfera contém moléculas de ar que se movem, criando flutuações na densidade, numa escala muito pequena, de nanómetros, um milionésimo de milímetro.
Nós reconstruímos essas flutuações usando nanopartículas, uma dispersão altamente concentrada de pequenas esferas, com um índice de refração um pouco maior do que o da água. E despejamo-la na água.”

O azul dispersa-se dando à água um tom ‘azul céu’, que é atravessada pelo feixe amarelado de luz. O Sol, que é branco, transforma-se em amarelo. O mesmo princípio aplica-se à janela virtual, que tem nanopartículas, fixas num plástico transparente, em substituição da água:

“A nossa tecnologia não é uma iluminação artificial é uma janela. Uma janela que recria o espaço infinito ao qual o homem está habituado há centenas de milhares de anos”, adianta o Professor Di Trapani.

Para os seus criadores trata-se de uma nova filosofia de iluminação interior. Ao contrário das lâmpadas, que criam pontos de luz, estas janelas recriam um mundo iluminado pelo exterior, pelo Sol, ainda assim um mundo que pode ser desligado num interruptor.

Os LEDs inorgânicos têm muitas vantagens são luminosos e eficientes. Mas a luz orgânica, díodo emissor de Luz ou OLED, tem qualidades únicas que abrem novas possibilidades.

Flexibilidade eletrônica ao serviço do amanhã

Em Eindhoven, desenhadores industriais e cientistas de materiais trocam ideias sobre como usar componentes eletrônicos flexíveis, incluindo o OLED, em novos produtos. Dois olhares sobre uma mesma matéria, como explica Erik Tempelman, Professor da Delft University of Technology e coordenador do projeto ‘Light.Touch.Matters’:

“É possível abordar a questão a partir de dois pontos de vista. Os cientistas de materiais tendem a trabalhar de baixo para cima, da física à mecânica até à forma de funcionamento. Os designers tendem a pensar de fora para dentro, porque é que isto faz sentido para um utilizador? Por que é que alguém teria prazer em usá-lo?”

Os cuidados de saúde infantil são uma das áreas onde a eletrónica inteligente e flexível pode ser, particularmente, útil. As luzes, num individual, interagem com pratos e copos e dão um toque de magia às refeições hospitalares, como refere Hanne-Louise Johannesen, da ‘Diffus Design’:

“Perguntámos aos médicos qual era o maior problema na recuperação de uma criança, quando está hospitalizada. Falámos, por exemplo, com serviços de oncologia, e um dos maiores problemas é a falta de apetite e é, realmente, importante comer quando se está em recuperação. Por isso, a ideia foi trabalhar estes problemas alimentares e tentar dar-lhes um pouco de magia.”

Michel Guglielmi, da mesma empresa, explica o processo:
“A técnica é a tradicional do bordado, que conhecemos há milhares de anos e que aplicámos aqui com o objetivo de transportar a corrente de um ponto ao outro.”

Outro exemplo é esta bracelete que ganha vida quando lhe tocam. Uma forma diferente de distrair uma criança durante procedimentos médicos menos agradáveis, refere László Herczeg, designer da ‘Fuelfor

“A luz é algo que atraia a atenção de uma criança e acontece alguma coisa quando elas interagem com a bracelete. Podem fazer-lhe festas, senti-la vibrar, mas veem-na também a iluminar-se. É um comportamento muito poderoso, a luz, é muito fácil de entender.”

Para os adultos há um protótipo de luva que ajuda na recuperação dos movimentos de um paciente. As luzes flexíveis, ajudam, visualmente, a fazer os exercícios, Dario Presti, engenheiro eletrónico da ‘Grado Zero Espace’ explica como:

“Esta peça de luz maior diz-nos se o exercício está a ser realizado de forma correta ou errada, as peças nos dedos acendem quando eles são fletidos.”

Ao contrário da tecnologia LED, que cria pequenos pontos de luz brilhante, os OLEDs, a luz orgânica, são luzes de superfície, complicados de produzir e muito caros. Ainda assim, investigadores europeus estão a desenvolver uma nova tecnologia para imprimi-los em rolos, o que poderia torná-los fontes de luz maiores e tão flexível como o papel de parede:

“É, realmente, flexível. E nos próximos anos, como vê podemos dobrá-la, a nossa ideia é que seja possível “amassá-la”, como uma toalha. Podermos dobrá-la, colocá-la no bolso, desdobrá-la e ter uma fonte de luz. Em vez de um processo complicado tentamos uma espécie de impressão, estamos a tentar fazer OLEDs como se imprimíssemos um jornal”, diz Pim Groen, cientista de materiais no Holst Center e Professor da Universidade de Delft.

Este protótipo usa tinta de prata para imprimir circuitos elétricos em película de polímero transparente. Para acelerar o processo, a máquina seca a tinta com flashes de luz. Robert Abbel, investigador de materiais também do Holst Centre, explica:

“Quando eu toco aqui, sujo-me. Por isso usamos esta máquina que aquece a prata com impulsos de luz durante um curto período de tempo, a alta temperatura. Agora quando toco está seco”.

Isto pode tornar-se numa base para uma grande superfície OLED. Seriam necessárias diversas camadas, com vários produtos químicos, para produzir luz, por isso a investigação continua.

Tecnologia laser por melhores alimentos

As novas tecnologias de iluminação proporcionam-nos conforto e criam possibilidades fantásticas em termos de consumíveis eletrónicos, no futuro. Mas as perspetivas são muito mais amplas, chegam mesmo aos tradicionais campos. Quão seguros são os nossos produtos agrícolas? Um novo instrumento lança alguma luz sobre essa questão.

Uma empresa da região de Veneto, em Itália, produz, desde o século XIX, mozarela e outros produtos lácteos. O queijo é embalado com uma mistura específica de gases atmosféricos o que evita que se estrague. As regras de produção são estritas, como adianta o presidente da Latteria di Soligo, Lorenzo Brugnera:

“Há certos parâmetros que devemos respeitar, um deles é o nível de oxigénio, que deve ser inferior a 5%. Hoje controlamos isso manualmente verificando alguns dos pacotes no laboratório.”

Uma amostra, escolhida aleatoriamente, é perfurada com uma agulha. A sonda mostra o nível de oxigénio. Agora o produto precisa de ser reembalados. Mas já existe uma maneira melhor de fazê-lo, Paolo Tondello, engenheiro eletrónico, fala-nos dele:

“O saco entra no aparelho de medição e tem de passar por um laser que mede o nível de oxigénio no interior do pacote. A luz passa através deste saco, interfere com as moléculas de oxigénio no interior, o que nos dá o nível de oxigénio, sem estragar o saco, sem contacto, de forma totalmente ótica.”

O sistema funciona com recipientes não-metálicos. O laser, de baixa potência, não danifica a embalagem e mantém o alimento intacto. Permite inspecionar todos os produtos e não apenas uma amostra aleatória. O investigador Luca Poletto, do Institute of photonics and nanotechnologies, e coordenador do projeto‘Safetypack’, explica:

“Para distinguir um gás do outro iluminamo-lo com luz laser, num comprimento de onda que é absorvido apenas por um determinado gás. Ao medir a quantidade de luz absorvida, podemos obter a concentração e pressão deste tipo específico de gás no interior do recipiente.”

Estas sondas laser estão a ser testadas em duas fábricas de produtos alimentares. Investigadores, como Tondello, dizem que os grandes fabricantes ficarão interessados nestes dispositivos:

“Tenho a certeza de que a indústria vai gostar desta tecnologia que permite controlar 100% o produto, proporcionando uma segurança alimentar muito maior.”

Ideias luminosas de investigadores europeus que pretendem dar-nos uma nova luz sobre o futuro.

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sábado, 24 de outubro de 2015

Potência total
Emerson F. Tormann18:35


A usina de Itaipu registrou novo recorde de geração de energia na tarde desta quarta-feira (21)
14.238 MW foi a geração alcançada entre 14 e 15 horas, superando os 14.167 MW registrados na terça-feira; o novo recorde é explicado pela cheia registrada nas últimas duas semanas.

Tarifa cara incentiva uso racional
Emerson F. Tormann18:28

Cresce na indústria procura por sistemas e equipamentos com consumo mais eficiente


A indústria brasileira, de maneira geral, tem ampliado o interesse pelo uso racional de energia, de olho na sustentabilidade e, principalmente, no bolso. Pouco mais de quatro anos após o lançamento da norma ISO 50.001, voltada para a gestão e o uso eficiente de energia, pelo menos 23 empresas brasileiras já obtiveram o certificado internacional, sendo a maioria delas pequenas e médias indústrias.

"A princípio, parece pouco, mas quando se compara com o grau de penetração no mercado das ISOs 9.001 [de segurança] e 14.001 [gestão ambiental], percebe-se que ela [ISO 50.001] está com penetração mais rápida", afirma George Soares, gerente da Assessoria Corporativa e de Novos Negócios em Eficiência Energética da Eletrobras.

Segundo ele, a expectativa é que, na prática, o número de empresas que adotaram o padrão estabelecido pela ISO seja maior do que o oficial. Isso porque, na página da International Organization for Standardization (ISO), só constam as empresas que passaram por uma certificação oficial. Mas a norma permite que a companhia adote o procedimento sem registrá-lo com uma certificadora.

A Aneel lançou projeto prioritário de eficiência energética voltado à substituição de motores elétricos na indústria

De acordo com Soares, a estimativa é que a adoção da norma gere uma economia de energia de 10% a 20%. "Isso reforça a ideia de que é uma certificação que se paga". Além disso, a norma permite que a empresa mantenha o ganho energético no longo prazo, evitando um problema comum na indústria: a retomada gradativa da ineficiência anos depois da implantação de um projeto do tipo.

Mas outro dado chama atenção: praticamente nenhuma grande consumidora de energia já obteve a certificação internacional.

A constatação reflete dado observado pela Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco). Enquanto a produção industrial caiu 6,3% no acumulado do primeiro semestre deste ano, o consumo de energia do segmento recuou com menor intensidade no mesmo período. De acordo com dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o consumo de energia de janeiro a junho deste ano do setor industrial foi de 85.883 gigawatt-hora (GWh), com queda de 4,2%.

"Um dos problemas é que as pessoas não percebem que vale a pena investir em eficiência energética para acabar com o desperdício. Elas não sabem que o 'pay-back' [tempo para retorno do investimento] dos projetos é pequeno", explica o presidente da Abesco, Rodrigo Aguiar.

A entidade tem se reunido com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) para encontrar soluções para linhas de financiamento. Entre as medidas, estuda-se parceria com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), para ampliar o número de agentes financeiros participantes do processo na modalidade indireta.

Nessa linha, em setembro a Aneel lançou projeto prioritário de eficiência energética voltado à substituição de motores elétricos na indústria. Estudo desenvolvido pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), em parceria com o Centro Técnico Científico da PUC-Rio, concluiu que há desperdício de 7 milhões de megawatts-hora/ano (MWh/ano) no Brasil, devido ao uso de motores industriais recondicionados. O volume equivale a quase o consumo de todas as residências da região Norte.

Segundo Glycon Garcia, chefe do programa de energia sustentável para a América Latina da Associação Internacional do Cobre (ICA, na sigla em inglês), o plano da Aneel é estimular, por meio dos recursos do programa compulsório de eficiência energética das concessionárias, a troca dos motores elétricos na indústria.

O Instituto Brasileiro do Cobre (Procobre) diz que os motores de alto rendimento, que utilizam 20% mais cobre em sua composição, em relação aos antigos, permitem economia de 40% no gasto energético. A substituição do equipamento reduz em 42% da emissão de gases do efeito estufa.

O programa da Aneel é inspirado em ações já desenvolvidas por algumas concessionárias, de forma isolada. É o caso do programa "Indústria + Eficiente", da catarinense Celesc, no qual a empresa assinou contratos de financiamento, a custo zero, com três empresas - Tigre, BRF Brasil e Tupy - para execução de cinco projetos que, em linhas gerais, substituíam os motores de baixo rendimento por equipamentos mais eficientes.

Na fabricante de tubos e conexões Tigre o projeto resultou em economia de 5,3 mil MWh/ano, ou 11,17% do consumo anual. Na BRF Brasil, do ramo alimentício, o ganho foi de 8,7 mil MWh/ano, equivalente a um mês de consumo na unidade de Chapecó, com economia anual de R$ 500 mil. E, na metalúrgica Tupy, uma das maiores consumidoras de energia do Estado, a redução de energia foi de 10,6 mil MWh/ano, o equivalente ao consumo de cerca de 4,3 mil residências no mesmo período.

Universidade do BRICS
Emerson F. Tormann18:20



Foi criada no domingo (18) em Beijing a União de Universidade dos Países dos Brics, o bloco composto por Rússia, Brasil, Índia, China e África do Sul.

Os reitores, que vêm de mais de 50 universidades dos países dos Brics, reuniram-se na Universidade Normal de Beijing e alcançaram o Consenso de Beijing, após três rodadas de reuniões.

Segundo o documento, os membros da união vão construir conjuntamente uma plataforma de pesquisa coordenada e de intercâmbio acadêmico, esforçando-se para aumentar a influência dos países dos Brics na competição intelectual internacional. Os membros vão acompanhar o desenvolvimento integral dos jovens estudantes; dedicar-se à formação de talentos inovadores com visão internacional; impulsionar o modelo de desenvolvimento equilibrado e sustentável; e guiar os países dos Brics a escolher estratégias de desenvolvimento adequadas.

O ministro da Educação chinês, Yuan Guiren, apontou que reforçar o intercâmbio e a cooperação entre as universidades dentro dos Brics possui um significado especial para aprofundar a parceria dos países e aumentar os benefícios dos povos.

fonte: http://portuguese.cri.cn/
(tradução: Shi Liang revisão: Layanna Azevedo)
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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Em 2018, 70% dos brasileiros terão acesso à banda larga
Emerson F. Tormann00:12

Projeção

Ministro participa de evento na Rússia - Divulgação/Ministério das ComunicaçõesNa Rússia, ministro das Comunicações ressaltou que internet rápida já alcança 94 milhões de pessoas no País




O Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) tem como meta atingir 70% do Brasil até o final de 2018, destacou o ministro das Comunicações André Figueiredo. "O avanço da Banda Larga, que já alcança 94 milhões de brasileiros, foi impulsionada nos últimos anos, principalmente, pelos acessos móveis. Os smartphones se tornaram nossos inseparáveis computadores de bolso e têm se mostrado indispensáveis instrumentos de inclusão social por meio da tecnologia", disse o ministro.

Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (21) por André Figueiredo durante a primeira reunião dos ministros das Comunicações dos BRICS, bloco que agrupo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, em Moscou, na Rússia,Também de acordo com Figueiredo, o governo acredita "que a expansão do uso da internet, observada com a massificação dos dispositivos pessoais, se repetirá, em maior escala".

Ministros das Comunicações dos BRICS

O evento para os ministros dos BRICS foi criado, em julho deste ano, na 7ª Cúpula dos BRICS, que foi realizada também na Rússia e contou com participação da presidenta Dilma Rousseff. Estruturado por iniciativa brasileira e russa, o evento estimula o debate de propostas para ampliar a articulação entre os países-membros nas áreas de tecnologia da informação, internet e infraestrutura para atrair investimentos e reduzir as desigualdades sociais.

"Queremos dialogar com nossos parceiros do BRICS sobre os temas estratégicos deste século, dentre os quais as comunicações se mostram cada vez mais relevantes. Sabemos que existe um desequilíbrio no mercado mundial de soluções de TICs e consideramos necessários esforços conjuntos no sentido de nos tornar mais independentes e competitivos em software, hardware e infraestrutura", ressaltou Figueiredo.

O Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) é uma iniciativa do governo federal que tem o objetivo principal de massificar o acesso à internet em banda larga no País, principalmente nas regiões mais carentes da tecnologia.

Sobre o Marco Civil da Internet brasileira, o ministro do Brasil ratificou que a medida criou um arcabouço legal que estabelece princípios, garantias e direitos dos usuários, delimitando deveres e responsabilidades dos diferentes atores do ambiente online e definindo o papel a ser exercido pelo poder público em relação ao desenvolvimento da rede. "Ao se ancorar firmemente na defesa da liberdade de expressão e dos direitos fundamentais, o Marco Civil cria o arcabouço legal para assegurar que a Internet continue sendo um espaço de abertura, colaboração e inovação", explicou.

Portal Brasil

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Ericsson tem previsão de testar tecnologia 5G no Brasil em 2016
Emerson F. Tormann16:07



A fabricante de equipamentos de telefonia móvel Ericsson vai trazer a tecnologia 5G ao Brasil em 2016, em parceria com o grupo mexicano América Móvil, dono das operadoras Claro, Net e Embratel. O anúncio foi feito durante visita da presidente Dilma Rousseff ontem à sede da companhia, na Suécia.

A Ericsson e a América Móvil também implantarão um sistema de testes para "internet das coisas", focado em aplicações de baixo consumo de bateria, como sensores de baixa energia para áreas remotas.

A companhia disse que o foco é entender como os sistemas 5G serão usados pela sociedade e indústrias no futuro. A companhia espera estar pronta para concluir as redes comerciais em 2020.

A Ericsson tem uma parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC) para desenvolver pesquisas sobre o 5G desde 2012. Ontem, anunciou também programas com a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Campinas (Unicamp), a serem conduzidos em 2017.

A Ericsson vai estudar, na USP e na Unicamp, redes que se comunicam sem intervenção humana e sistemas autônomos de comunicação com base em sensores. A pesquisa pode fornecer base para sistemas que se comunicam com autoridades rodoviárias em caso de emergências, para programas de acompanhamento climático para monitorar as condições de estradas e carros sem motorista.

Na UFC, os principais pontos da pesquisa são as novas faixas de espectro, chamadas "ondas milimétricas", sistemas de alta densidade de antenas, gerenciamento de interferências, comunicação entre dispositivos e utilização de "small cells" no conceito de redes heterogêneas.

Fonte: Valor


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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Aneel prevê tarifas dentro da 'normalidade' em 2016
Emerson F. Tormann16:14

Os reajustes tarifários de energia em 2016 vão retornar à normalidade, com pequenas variações, para mais ou para menos, de acordo com sinalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Segundo o diretor-geral da autarquia, Romeu Rufino, todos os efeitos de maior proporção já foram assimilados nas tarifas neste ano e há, inclusive, possibilidade de a conta de luz de algumas distribuidoras sofrem reduções em 2016.

"O potencial grande que existe de impacto na tarifa é o custo da energia. Se este ano já está tudo na base [tarifária], não tem como aumentar. O cenário é de haver uma variação tarifária dentro da normalidade, que pode ser para mais ou para menos", contou Rufino, em entrevista ao Valor, após participar de reunião interna do conselho empresarial de energia elétrica da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), na última semana, na capital fluminense.

Segundo ele, há alguns efeitos positivos e negativos previstos para as tarifas de energia em 2016. Entre os fatores que vão influenciar o aumento das tarifas está a bonificação das outorgas do leilão das hidrelétricas existentes, marcado para novembro, que será repassada às tarifas. Trata-se de valor que será pago pelas geradoras de imediato pela aquisição das concessões. O montante retornará ao bolso das companhias, por meio do preço da energia negociada no leilão, por um prazo de 30 anos.

Por outro lado, haverá alívio tarifário com relação à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), em que não há previsão de crescimento do encargo para ser repassado. "No item 'encargo CDE', é provável que haja até redução".

Sobre o custo da energia, como boa parte do custo de geração de termelétricas mais caras já foi repassado ao consumidor por meio das bandeiras tarifárias, não há volume significativo desse custo a ser aplicado nas tarifas das distribuidoras no próximo ano. Além disso, se houver um regime de chuvas melhor no próximo verão, é possível desligar um número maior de termelétricas, reduzindo o custo da energia para todo o sistema.

Rufino adiantou também que a autarquia vai decidir nesta semana sobre a versão final da regra para a renovação da concessão das distribuidoras de energia. Com a aprovação do modelo final pela diretoria da agência, o documento será encaminhado ao Ministério de Minas e Energia, que convidará as empresas para assinar os aditivos contratuais.

Segundo Rufino, o Tribunal de Contas da União (TCU) acatou integralmente o embargo apresentado pela agência que, na prática, permite à autarquia aprovar a regra para a assinatura do contrato antes da regulamentação de alguns itens do modelo. O acórdão do TCU determinava a regulamentação de um conjunto de itens antes da assinatura dos contratos. "Temos agora já todas as condições de fechar o assunto", explicou.

Ao todo, os contratos de 41 distribuidoras de energia vencem entre 2015 e 2017. Desses, 36 venceram em julho deste ano. Estão nessa situação a paranaense Copel, a catarinense Celesc, a goiana Celg, a gaúcha CEEE e algumas distribuidoras integrais da Eletrobras (Ceal, Cepisa e Amazonas Energia). No ano que vem, termina o contrato de concessão da mineira Cemig.

Segundo Rufino, também deve ser aprovado ainda este mês o modelo para a redução do déficit hídrico. "Nossa expectativa é de que até o fim do mês consigamos deliberar qual a regra que a Aneel vai definir, dentro do parâmetro estabelecido pela Medida Provisória [MP 688], para que o agente possa aderir ou não [à proposta]".

Conforme antecipado pelo Valor, as geradoras em geral criticaram a proposta da agência de impedir que usinas que não aceitaram prorrogar antecipadamente as concessões possam aderir ao modelo de repactuação do risco hidrológico (medido pelo GSF, na sigla em inglês). "Isso certamente será levado em consideração. É claro que não são eles que vão dizer como vamos fazer. Nós vamos reunir um conjunto de contribuições. Certamente há contribuições do outro lado também, eventualmente de quem vai pagar a conta".

A Aneel também já entregou ao MME a proposta para a remuneração da indenização às transmissoras por ativos antigos ainda não amortizados. O órgão sugere que a indenização bilionária seja repassada, de forma escalonada, por meio da tarifa de uso do sistema de transmissão (Tust) encargo cobrado dos consumidores. Segundo ele, esse modelo seria mais "suave" do que uma cobrança via CDE.

Caso a proposta seja aprovada pelo MME, a autarquia fará os cálculos para o pagamento às transmissoras. A expectativa é que isso aconteça em julho de 2016, quando ocorre o processo tarifário das empresas do segmento. "Dependendo do momento, da relevância e da quantidade de empresas que já tenham o caso resolvido, podemos até fazer um processo extraordinário. Mas não é o desejável", explicou.

Entre as transmissoras, apenas o grupo Eletrobras pleiteia indenizações da ordem de R$ 20 bilhões. A Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep) pede R$ 5,1 bilhões e a paranaense Copel, outros R$ 882 milhões.

Fonte: Valor Econômico

domingo, 18 de outubro de 2015

CEB, contrata escritório de advocacia por R$ 249 mil
Emerson F. Tormann23:42



Em tempos de crise a Companhia Energética de Brasilia – CEB, fecha contrato com o escritório de Advocacia Maciel, no valor de R$249 mil reais, para fazer as negociações coletivas de Acordos Coletivos de Trabalho. A empresa que opera a vários anos deficitária utiliza cerca de 1/4 de milhão de reais para pagamento do referido escritório.

A CEB, que possui um corpo técnico de advogados, que poderia tranquilamente tratar das referidas causas, foram colocados a escanteio, os cortes nos gastos públicos que estão acontecendo segundo o Governo de Brasília, na administração direta e indireta também deveriam ser feitas nas empresas públicas para que contratações como estas sejam analisadas com luta tendo em vista que a referida empresas acumula bilhões em dividas .

Até o momento só vemos gastos e mais gastos mas nenhum plano de recuperação da CEB, vem sendo feito os recursos acima poderiam ser utilizado para que um plano de recuperação da empresa e melhorias para os funcionários fossem feitas.

Colocando a colherinha no café alheio: Se tem dinheiro pra contratar escritório de Advocacia, porque não reverter este e outros recursos para melhorias da empresa e de seus funcionários ?

» Veja também: CEB - Relatório Administrativo 2014

Fonte: Cafezinho

"A CEB está numa crise muito severa", diz novo presidente da companhia
Emerson F. Tormann21:45

Ele herda missão de sanear as contas. Mais um reajuste de tarifas não é descartado, porém, há outros planos


Ari Joaquim da Silva, 65 anos, é o novo presidente da Companhia Energética de Brasília (CEB). Embora tenha mudado de cargo, a rotina não alterou muito — até a sala continua a mesma. Ari chegou à CEB com o então presidente, Francisco Santiago, em 7 de janeiro deste ano, a convite do governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Era o braço direito de Santiago no cargo de diretor-geral. Até a sala da presidência os dois dividiam. A dupla se conhece desde o tempo em que trabalhavam no segmento de telecomunicações. Ao assumirem a CEB, o desafio era tirar a companhia da grave crise financeira — o deficit da empresa é de R$ 360 milhões — e de qualidade no serviço.

Alegando motivos pessoais, Santiago pediu para sair da presidência neste mês. Ari herdou a missão de recuperar a CEB, seguindo o projeto de gestão desenhado pelos dois. Em entrevista exclusiva ao Correio, o novo presidente faz uma análise dos últimos meses. Ele destaca que a companhia continua operando no vermelho, embora o prejuízo semestral tenha diminuído de R$ 147,9 milhões para R$ 36,5 milhões. Por isso, não descarta a hipótese de mais aumentos na conta de energia elétrica — nos últimos 12 meses, os incrementos na fatura somaram 73,74%.Para o futuro da CEB, Ari destaca a importância da capitalização da empresa. O comunicado mostrando interesse de injeção de capital foi publicado em 30 de setembro. A ideia é vender ativos da parte de geração da holding e alienar imóveis da companhia.

Ari Joaquim da Silva - CEB (Companhia Energética de Brasília)
"O consumidor até entende que o reajuste é necessário, mas se você não dá uma contrapartida de qualidade para ele, ele não aceita. Agora quando o consumidor percebe que ele está pagando e a qualidade melhorou e o atendimento também, ele entende e aceita."

O senhor está na CEB desde janeiro deste ano, como diretor-geral, e agora assumiu a presidência. A gestão do senhor será uma continuidade do trabalho que vinha fazendo com o Santiago ou terá uma marca mais pessoal?
Quando nós assumimos a empresa em janeiro, fizemos um plano juntos. Eu vou continuar o plano que definimos em 7 de janeiro de 2015.

Uma das dificuldades apontadas para a administração da CEB é o deficit da empresa, calculado em R$ 360 milhões. Vocês conseguiram amenizar esse deficit em nove meses?
A CEB está passando uma crise financeira muito severa. É lógico que estruturamos muita coisa no sentido de contornar essa crise, mas ela não está contornada. A CEB só será saneada financeiramente quando houver a organização societária do grupo CEB. Esses projetos ainda vão levar um ano.

As medidas adotadas pela administração surtiram algum efeito nesses meses?
Sim. A companhia ainda opera com prejuízo, mas ele já diminuiu bastante. No primeiro semestre de 2015, foi de R$ 36,5 milhões. No primeiro semestre de 2014, ele era de R$ 147,9 milhões. Diminuiu muito.

Essa recuperação se deve às medidas saneadoras ou já é efeito do aumento do preço da energia e das bandeiras tarifárias?
É um conjunto de medidas. Tivemos o efeito das bandeiras, o reajuste extraordinário que a Aneel deu; em agosto, tivemos o reajuste ordinário de tarifa.

Este ano a tarifa de energia elétrica subiu muito e incomodou o consumidor, não só na CEB, mas em todo o país…
Em função daquela redução tarifária de 2013, o setor energético ficou em uma situação muito difícil. Por isso, o setor está passando por uma recuperação tarifária, que não está completa.

Isso significa que o setor precisa de mais reajustes para equalizar as contas? Ou seja, a tarifa de energia elétrica ainda pode subir…
Sim. Mas não é o momento de falar sobre isso.

No início da gestão do Santiago, a CEB estava tentando um empréstimo para a reestruturação, mas encontrava dificuldade por causa da imagem desgastada da empresa no mercado. Vocês conseguiram esse empréstimo?
Chegamos a fechar uma operação que tem dois momentos. O primeiro já aconteceu: contratamos R$ 130 milhões. Agora estamos esperando o aditamento do contrato de concessão para entrar com a segunda parte.

Esse contrato de concessão é o da própria CEB?
O governo acabou não conseguindo fazer o processo em tempo certo. A nossa concessão expirou em 7 de julho deste ano. E estamos sem concessão até hoje.

Vocês estão operando sem a concessão? Estão ilegais?
Estamos em um limbo regulatório. Não é só a CEB que está nessa situação, outras 37 concessionárias passam pela mesma questão. O processo de renovação das concessões foi feito de forma atabalhoada. Por isso, o Tribunal de Contas da União (TCU) fez recomendações à Aneel de mudanças nos contratos e a agência está nesse processo. A expectativa do próprio ministro que foi o relator do processo é a de que os contratos devem estar prontos no fim do ano.

Qual é o impacto de operar sem concessão? Consegue fechar contratos, por exemplo?
Contratos de fornecimento, sim. A empresa continua operando normalmente. A questão que complica é do ponto de vista de a empresa contratar empréstimos bancários. O banco precisa de garantia. O que é a CEB sem concessão? A razão de ser da CEB é explorar a concessão.

Em abril, a CEB teve que apresentar um plano de reestruturação para a Aneel. Tiveram alguma resposta da agência?
A própria Aneel já reconhece uma melhora substancial no atendimento ao consumidor e na qualidade do serviço; diminuímos a frequência e a duração das interrupções. Houve queda substancial de consumidores, que, insatisfeitos com o serviço da CEB, procuravam a Ouvidoria da Aneel. A Aneel tem os dados, eles mesmos cumprimentaram a empresa pelas melhorias.

Mesmo com os constantes prejuízos que a CEB vem apresentando, houve investimento em infraestrutura?
Investimos R$ 40 milhões nesses nove meses. Estamos apostando em uma gestão mais focada. Dos 400 circuitos que temos, 50 eram mais problemáticos. Então, focamos nesses. Além disso, estamos automatizando a rede de tal forma que pode ter um desligamento, mas o religamento será automático. Você não depende que uma equipe vá para lá e faça manualmente; o sistema faz remoto.

A empresa precisava também mostrar melhorias para justificar os aumentos?
O consumidor até entende que o reajuste é necessário, mas, se você não dá uma contrapartida de qualidade para ele, ele não aceita. Agora, quando o consumidor percebe que ele está pagando, a qualidade melhorou e o atendimento também, ele entende e aceita.

A energia elétrica foi uma das despesas domésticas que mais subiram. A CEB sentiu queda no consumo relacionada ao preço?
O exercício de 2015 é um ano de ajuste no setor. A desaceleração da economia este ano, tem, pelo menos, um efeito positivo: o risco de apagão desapareceu. Deu um tempo para as concessionárias se reorganizarem. Do ponto de vista do consumo per capita, ele caiu em torno de 6% por conta de um uso mais racional da energia.

Na tentativa de sanear a empresa, vocês fizeram um trabalho cirúrgico, mexendo, inclusive, em cargos e adicionais. Como foi a negociação com os funcionários e com o sindicato? Encontraram resistências?
Ninguém fica satisfeito em perder remuneração. Mas não houve contestação ou movimento contrário porque as decisões eram justas. Se você perguntar para as pessoas individualmente, elas vão responder que não ficaram satisfeitas, mas entenderam. Nós estamos agora em um momento delicado, que é o da convenção coletiva de trabalho. Nós fizemos uma proposta de aumento zero com a filosofia de que, para sanear a CEB, o trabalho tem que ser conjunto.

Como vai funcionar esse desinvestimento da CEB? No fim de setembro, foi publicado o fato relevante comunicando a possibilidade de abrir o capital da CEB...
Nós publicamos o fato relevante para informar ao mercado que a empresa está iniciando os estudos relativos à capitalização da CEB, que passa por alienação de imóveis e venda da participação da CEB geração. Hoje, o holding é sócio de várias empresas de geração, como a de Corumbá e a do Lajeado.

Algumas distribuidoras, como a Celg, em Goiás, venderam o braço de geração e tiveram problemas. Qual será o caminho da CEB para evitar maus negócios?
Em sua história, a CEB foi conseguindo sobreviver via aporte de recursos do GDF. A CEB é um filho perdulário de pai rico. Ela se encalacrava e o GDF ia lá e colocava dinheiro. Mas isso não dá mais. Por isso, antes de vendermos participação da geradora e alienar imóveis, temos que deixar a empresa saneada para que a injeção de capital seja na empresa e não para tampar os ralos. É importante ressaltar que a CEB Distribuição vai continuar 100% com capital fechado.

Fonte: CB

sábado, 17 de outubro de 2015

Horário de verão começa neste domingo
Emerson F. Tormann23:13

Relógios devem ser adiantados em uma hora em 10 estados e no DF




-BRASÍLIA- O horário de verão começa no primeiro minuto deste domingo: os relógios têm de ser adiantados em uma hora nas regiões Sul, Sudeste e CentroOeste do país. O novo horário vai durar até a meia-noite do dia 21 de fevereiro de 2016. O objetivo principal do Ministério de Minas e Energia (MME) é aproveitar o aumento do período de claridade para economizar energia.

Sem o horário de verão, o governo teria de investir R$ 7 bilhões em usinas para suprir a demanda energética do período. Esse é o custo estimado para que fosse possível atender a uma demanda adicional prevista de aproximadamente 2.610 Megawatts (MW).

A mudança atinge especialmente o horário de pico de consumo, que é entre 18h e 20h, momento em que tradicionalmente o consumo aumenta. Com a mudança, a luminosidade natural permite o uso menor de lâmpadas, por exemplo.

O horário de verão, com algumas interrupções, existe desde o verão de 1931 e 1932. Os estados que terão horário de verão são: Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, mais o Distrito Federal.

Segundo nota do MME, a redução média de consumo obtida nos últimos dez anos foi de 4,5% no horário de maior consumo e economia absoluta de 0,5%. Esse volume economizado ao longo de quatro meses equivale aproximadamente ao consumo mensal de energia da cidade de Brasília, com 2,8 milhões de habitantes.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

A conta do atraso
Emerson F. Tormann12:46

As 1640 obras de infraestrutura analisadas por EXAME vão custar 1,2 trilhão de reais


A EDIÇÃO DE 2015 DO ANUÁRIO EXAME DE INFRAESTRUTURA analisou um total de 1640 obras e projetos no Brasil nas áreas de combustíveis, energia elétrica, saneamento, telecomunicações, transportes e infraestrutura social. Juntos, esses empreendimentos vão exigir investimentos de 1,2 trilhão de reais. Mas, para que eles se tornem realidade, é preciso apertar o passo. Entre os 100 maiores empreendimentos da edição do ano passado, 28 encontravam-se, na época, em fase de projeto. Um ano se passou e, de lá para cá, desses 28 projetos, apenas cinco começaram a ser executados - os outros 23 permanecem somente no papel. Além disso, muitas obras iniciadas avançaram pouco (veja abaixo alguns exemplos). Para piorar, duas obras que estavam entre as dez mais caras do país - as refinarias Premium 1 e 2, ambas localizadas na Região Nordeste - foram canceladas. Sem conseguir atrair sócios para dividir os investimentos, a estatal Petrobras desistiu de construir as duas refinarias - um fiasco que causou um prejuízo de 2,7 bilhões de reais.

A LISTA DE OBRAS

A lista das 1 640 obras monitoradas pelo Anuário EXAME de Infraestrutura está disponível no portal EXAME.com. A lista apresenta dados como valor do orçamento, quanto falta investir, estágio atual, datas previstas de início e conclusão, empecilhos e grau de execução. As obras e os projetos estão divididos por setores e por estados. Confira no seguinte link:

exame.abril.com.br/revista-exame/ infraestrutura/2015/obras



PROBLEMAS QUE VÊM DO BERÇO

Um dos maiores entraves para a execução de obras de infraestrutura no Brasil vem do berço: projetos mal elaborados. Sem um detalhamento adequado desde sua concepção, muitos empreendimentos nascem condenados a passar por uma série de percalços no caminho. Um indício de falhas nos projetos é o número expressivo de empreendimentos que sofrem alteração no valor do investimento: um em cada cinco projetos sofre uma revisão do orçamento. Outro sintoma do problema é que 16% das obras têm seu prazo de conclusão dilatado por empecilhos ambientais, legais, técnicos ou de outra natureza. Do total de 1640 empreendimentos analisados neste ano, 29% têm algum obstáculo para sua execução. É um índice significativo e, possivelmente, a realidade é pior do que isso - a maioria das empresas responsáveis pelas obras tende a não fazer publicidade dos problemas que enfrentam.




MUITO CHÃO A PERCORRER

DO ORÇAMENTO TOTAL DE 1,2 TRILHÃO de reais previsto para a execução dos 1640 projetos e obras incluídos na lista deste ano, a maior parte do valor (72%) ainda precisa ser desembolsada. É um mau sinal, já que o governo e estatais como Petrobras e Eletrobras, responsáveis por alguns dos maiores empreendimentos, estão sem caixa para realizar grandes investimentos. É mais um motivo para o governo acelerar o programa de concessões, buscando atrair uma participação maior da iniciativa privada, incluindo investidores estrangeiros. O setor de transportes é o que exigirá maior volume de recursos - representa quase 40% do orçamento total da lista deste ano.


CAROS E COMPLEXOS

MESMO NUMA LISTA DE MAIORES OBRAS, algumas se destacam por sua grandiosidade. Juntos, os cinco empreendimentos que vão exigir mais investimentos para sua conclusão somam quase 138 bilhões de reais (veja quadro ao lado). A magnitude desses números é um reflexo das carências do Brasil - é como se o país tentasse resolver, em uma só tacada, os gargalos criados por anos e anos de investimentos insuficientes na área. Mas obras grandiosas são também mais difíceis de tirar do papel, porque exigem uma complicada engenharia financeira. Não por acaso, dos cinco empreendimentos mais caros do país, quatro ainda estão em fase de projeto (a Ferrovia Bioceânica, o trem de alta velocidade, a hidrelétrica São Luiz do Tapajós e a plataforma de petróleo P-73). Apenas um deles está andando: a expansão da Estrada de Ferro Carajás - o único da lista realizado com recursos privados.



CONCENTRAÇÃO DE INVESTIMENTOS

DE CADA 100 REAIS EM INVESTIMENTOS previstos na lista de obras deste ano, 25 têm como destino os dois estados mais ricos do país. Juntos, Rio de Janeiro e São Paulo concentram obras orçadas em 304 bilhões de reais. O Rio de Janeiro ocupa novamente o topo da lista graças, sobretudo, aos empreendimentos no setor de petróleo e gás, além de várias obras relacionadas aos Jogos Olímpicos de 2016. Um ponto de atenção é como a crise na Petrobras vai repercutir no andamento das obras - a estatal é responsável por pouco mais da metade dos investimentos em infraestrutura previstos para o Rio de Janeiro nos próximos anos. Nesse aspecto, a situação dos pau listas é mais confortável. As obras no estado de São Paulo distribuem-se de forma diversificada por setores como transportes, saneamento, combustíveis e energia elétrica, sem uma forte dependência de uma única fonte de recursos.



Centro-Oeste

AO LONGO DOS ÚLTIMOS DEZ ANOS, a Região Centro-Oeste dobrou sua produção de grãos - neste ano, a previsão é colher 88 milhões de toneladas, ou 42% da safra brasileira O espetacular crescimento ocorreu apesar das conhecidas deficiências de logística, que encarecem o escoamento da produção. Na lista do Anuário EXAME, o Centro-Oeste aparece como o destino de apenas 4% dos investimentos totais previstos nos próximos anos, ou 38 bilhões de reais. Uma boa parte disso deverá ir para transportes. O trecho da Ferrovia Norte-Sul que está sendo construído entre Ouro Verde, em Goiás, e Estrela D'Oeste, em São Paulo, com 682 quilômetros, é uma das obras que devem melhorar o escoamento da safra agrícola da região. A obra vai custar 4,8 bilhões de reais e deverá ser concluída em 2016.

Nordeste
A REGIÃO NORDESTE OCUPA UM PAPEL relevante no mapa de investimentos em infraestrutura do Brasil. Nos próximos anos, de acordo com um levantamento do Anuário EXAME, a região deverá receber algo em torno de 162 bilhões de reais - o correspondente a 16% do total do país. A região fica atrás apenas do Sudeste em volume de recursos previstos para obras. No setor de saneamento, o Nordeste é a região com a maior fatia de investimentos previstos, com quase 27 bilhões de reais, ou 44% do país. Entre as maiores obras nessa área estão a transposição do rio São Francisco (projeto que vai consumir 8,2 bilhões de reais para levar água a 12 milhões de habitantes do semiárido), o programa Cidade Saneada (parceria público-privada que pretende implantar sistema de esgotamento sanitário para atender 90% da região metropolitana de Recife, ao custo de 4,5 bilhões de reais) e a Adutora do Agreste (canal de 419 quilômetros para distribuir água a 68 municípios do agreste pernambucano, com um orçamento de 1,3 bilhão de reais).

Norte
COM UMA CARTEIRA DE PROJETOS e obras de 160 bilhões de reais, a Região Norte tem uma participação de 14% no total de investimentos previstos em infraestrutura nos próximos anos no Brasil. A região destaca-se principalmente no setor elétrico - as maiores usinas hidrelétricas em projeto ou em construção no país, como Belo Monte, São Luiz do Tapajós e Jatobá, estão por lá. O problema é que muitos desses empreendimentos enfrentam obstáculos ambientais para sua execução. Esses empecilhos afetam não somente as usinas geradoras mas também as linhas de transmissão. Um exemplo é a construção da linha elétrica entre Roraima e Amazonas, uma obra de quase 1 bilhão de reais que está emperrada - o projeto prevê que ela deve passar por uma reserva indígena, o que dificulta a obtenção de licença ambienta! Enquanto não se resolve a pendência, Roraima continuará dependendo de energia fornecida pela vizinha Venezuela - é o único estado brasileiro ainda fora do Sistema Interligado Nacional, que leva eletricidade a todo o país.

Sudeste
O SUDESTE CONCENTRA UM TERÇO dos investimentos em infraestrutura previstos para os próximos anos no Brasil, ou pouco mais de 400 bilhões de reais. Os destaques são os setores de transportes (a região representa 47% do orçamento total do país) e de combustíveis (43%). Os problemas são também gigantescos. O projeto mais caro da região, o trem de alta velocidade, foi adiado por tempo indeterminado e caminha para o esquecimento. A segunda obra mais cara da região, o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, o Comperj, deveria ter sido inaugurada em 2012, mas ficou para 2016 - se não sofrer novo adiamento por causa das dificuldades financeiras da Petrobras. Vários outros empreendimentos de petróleo e gás vivem a mesma incerteza em relação a seu futuro.

Sul
OS TRÊS ESTADOS DA REGIÃO SUL PARTICIPAM da lista de obras deste ano com 452 empreendimentos, ou 28% do total no país, e um orçamento de
quase 87 bilhões de reais. Um dado preocupante é que alguns dos maiores empreendimentos da região ainda estão só no. papel. São os casos, por exemplo, dos projetos de construção do metrô em Curitiba e em Porto Alegre, orçados em 4,8 bilhões de reais cada um. Também está em fase de estudos a concessão de um lote formado pelas rodovias BR-476, 153, 282 e 480, importantes para o escoamento da produção de frango da região. A expectativa é que o lote seja leiloado ainda neste ano - os investimentos na ampliação, manutenção e exploração de 460 quilômetros de rodovias são estimados em 4,5 bilhões de reais.



terça-feira, 13 de outubro de 2015

Distritais rejeitam projetos de reajuste de IPTU, TLP e CIP
Emerson F. Tormann14:55

Acordo garantiu aprovação de outros impostos

Depois de um acordo negociado entre os líderes partidários e representantes da área financeira do governo, os deputados distritais rejeitaram, na sessão ordinária desta terça-feira (6), três projetos de lei encaminhados pelo Executivo que previam reajustes para o Imposto sobre a Propriedade Territorial Urbana (IPTU), para a Taxa de Limpeza Pública (TLP) e para a Contribuição para Iluminação Pública (CIP).

Em virtude da derrubada dos projetos, o governo só poderá reajustar as alíquotas desses impostos para 2016 conforme a legislação vigente, que não permite aumento superior ao Índice Nacional de Preços (INPC). Distritais de vários partidos ressaltaram que a medida foi uma “vitória” da Câmara Legislativa.

Conforme o acordo dos líderes de partidos na Casa com o governo local, os distritais aprovaram, em redação final, outros projetos que devem aumentar a arrecadação de impostos no DF no próximo ano. Um deles, o Projeto de Lei nº 650/2015, alterou as alíquotas do chamado “imposto sobre a herança”, o Imposto sobre a Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos (ITCD).

De acordo com o substitutivo negociado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e na Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (CEOF), as heranças de até R$ 1 milhão serão taxadas em 4% sobre o valor transmitido. Para aquelas de R$ 1 a 2 milhões, a alíquota é de 5%. Os valores acima de R$ 2 milhões pagarão 6%. Apesar da votação tranquila, o projeto não obteve consenso: houve duas abstenções e dois votos contrários.

Também foram aprovados em plenário o Projeto de Lei nº 649/2015, do GDF, que reajusta de 17% para 18% a alíquota do ICMS para vários produtos (conhecido como ICMS Modal), excluindo medicamentos e hortifrutigranjeiros. O projeto recebeu 21 votos favoráveis.

Nota Legal – Os contribuintes participantes do Programa Nota Legal vão ganhar, em 2016, direito a concorrer a um sorteio no valor de até R$ 10 milhões. Os deputados distritais aprovaram por unanimidade o Projeto de Lei nº 531/2015, do deputado Renato Andrade (PR), que estabelece a medida. A proposição foi aprovada em tramitação conjunta com o PL nº 652/2015, do Executivo, que trata do mesmo tema.

Os serviços de TV assinatura no DF terão em 2016 a alíquota do ICMS reajustada pelo convênio previsto no processo 17/2015. A cobrança – com a homologação aprovada hoje em plenário – será de 15%, seguindo legislação de outros estados.


Entenda o que é a CIP

O ajuste na Contribuição de Iluminação Pública vai afetar a conta de luz em, no máximo, 2,9%. o valor arrecadado não serve só para pagar pela energia fornecida, mas também a manutenção das áreas públicas bem iluminadas. São mais de 287 mil pontos.



Fonte: fazenda.df.gov.br
Saiba mais: CLDF

Água e luz empurram famílias para o calote
Emerson F. Tormann12:40

Índice que mede a inadimplência cresce 5,45% em setembro. Pressionados pelo desemprego, pela inflação e pelos juris elevados, quase 40% da população - ou 57 milhões de pessoas - não têm como pagar as contas. Tarifaço do governo pesa muito.


A inflação próxima de 10%, os juros altos e o aumento do desemprego estão empurrando os consumidores para a inadimplência. Em setembro, o índice de calotes subiu 5,45% em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo o maior nível desde janeiro de 2013 - quando a taxa ficou em 5,62% -, segundo divulgaram ontem o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL). Pelas estimativas das entidades, que levaram em consideração nomes registrados em cadastros de devedores de todo o país, 57 milhões de pessoas estavam sem condições de pagar as dívidas em dia no mês passado, o equivalente a 38,9% da população adulta do país.

A inadimplência atinge principalmente as contas de água e de luz. Em setembro, o número de dívidas em atraso subiu 12,55%, 6,22 pontos percentuais acima da média geral. No Centro-Oeste, os débitos não pagos nesse segmento cresceram 22,39%, o maior aumento entre as cinco regiões do país (veja arte). Em 12 meses, as tarifa de energia elétrica ficaram 52,79% mais caras, enquanto as taxas de água e esgoto avançaram 14,36%, de acordo com dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Deterioração

A queda da atividade econômica está destruindo a capacidade das famílias de honrar os compromissos e levando o calote a um patamar próximo ao do fim de 2012. Mas, diferentemente daquele período, em que as altas taxas de inadimplência decorriam do alto endividamento das famílias, o momento atual está sendo agravado pela deterioração do mercado de trabalho e pelo aumento do desemprego. "No caso das contas de água e luz, a causa não é apenas o encarecimento das tarifas. Sem emprego e com a renda em queda, os consumidores estão tendo mais dificuldades de honrar os compromissos", destacou a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Diante do atual ambiente recessivo, a expectativa é de que a inadimplência siga ganhando força. As empresas continuarão demitindo e freando contratações. E, com a alta da inflação, em decorrência da pressão exercida por preços administrados e pelo aumento do dólar, a desaceleração das taxas de juros será mais lenta. Em relação a agosto, a quantidade de pessoas com dívidas em atraso no mês passado caiu 0,59%, queda puxada pelo recebimento do 13º salário pelos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além de feirões de negociações de dívidas. O resultado, no entanto, pouco muda o panorama.

"O aumento do desemprego e a redução da massa de rendimentos reduz a possibilidade de algumas famílias manterem as contas em dia. Em dezembro, em vez de observamos uma queda próxima de 1% em relação a novembro, como ocorreu no ano passado, poderemos ter um recuo menor", explicou Marcela, que garante: a luz no fim do túnel não está no começo de 2016. "Enquanto não tivermos uma solução para a crise política, o empresariado continuará sem confiança e reduzindo investimentos, o que produzirá uma recessão mais prolongada", acrescentou.

Com a baixa confiança dos consumidores, que estão menos propensos a comprar bens duráveis e atrelar mais dívidas ao orçamento, a queda no consumo prevista para 2015 e 2016 pode ser um fator determinante para impedir que mais pessoas fiquem com as contas em atraso. No entanto, para José Luís Oreiro, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a curto prazo, o cenário ainda é de aumento do calote. "A queda do consumo ajuda um pouco a reverter o aumento da inadimplência, mas não a ponto de contrabalancear o efeito da taxa de desemprego", afirmou.

Aceleração

Em setembro, o número médio de dívidas entre os inadimplentes ficou em 2,122. O resultado representou uma alta de 0,024 ponto percentual em relação ao registrado um ano antes. No mês passado, o número de débitos em atraso de até 90 dias subiu 12,10%, variação que só ficou abaixo do registrado entre as dívidas com três a cinco meses sem pagamento: 15,62%.

Cautela

Menos confiantes e endividados, os brasileiros estão colocando o pé no freio no consumo. Em setembro, o indicador de consultas para vendas a prazo do SPC Brasil e da CNDL recuou 6,87% em relação ao mesmo período do ano passado, a maior queda desde o início da série histórica, em 2013. As pessoas estão optando pelo pagamento à vista, o que também contribui para a desaceleração do indicador.

Inflação acelera

A valorização recente do dólar fez a inflação começar outubro com toda a força. Pressionado pela alta da moeda norte-americana, que impactou os custos das mercadorias no atacado, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) saltou para 1,64% na primeira prévia do mês, informou ontem a Fundação Getulio Vargas (FGV), responsável pelo cálculo. No fim de setembro, o indicador mostrava alta de 0,95%.

O IGP-M é amplamente utilizado na correção de valores de contratos, como os de energia elétrica e de aluguel de imóveis. Apesar de elevado, o índice ainda não captou a alta do preço dos combustíveis, anunciada pela Petrobras na terça-feira da semana passada, já que a coleta de preços foi feita entre 21 e 30 de setembro. O impacto só deverá sentido a partir da segunda prévia do mês. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) informou ontem que, desde o anúncio do reajuste, os consumidores já sofreram um aumento médio de 5,11% da gasolina nas bombas. O resultado mostra que os revendedores repassaram quase integralmente a alta de 6% decretada pela estatal.

A pesquisa da ANP constatou que o preço médio do litro da gasolina ao consumidor subiu de R$ 3,287, na semana de 27 de setembro a 3 de outubro, para R$ 3,455, entre 4 e 10 de outubro. Em algumas praças, como a de Brasília, o valor é ainda mais elevado. Foram consultados 3.277 postos em todo o país.

Na veia

O avanço da carestia ficou evidente, ainda, em outros dois indicadores recentes. Divulgado ontem, o Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S), também medido pela FGV, acelerou para 0,63% no período de 30 dias até a primeira semana de outubro, contra 0,42% na medição anterior. Houve aumento em seis das oito classes de produtos pesquisados. E, na quinta-feira, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) informou que o custo de vida na cidade de São Paulo teve alta de 0,79% na primeira quadrissemana deste mês, depois de fechar setembro com variação de 0,66%.

No caso do IGP-M, o principal fator de pressão foi a alta do dólar. Entre os componentes do índice, o que mede a variação dos preços no atacado (IPA) subiu 2,36%. Somente os produtos agropecuários no IPA ficaram 3,42% mais caros. Os industriais avançaram 1,95%. "Direta ou indiretamente, todas as elevações estão relacionadas à taxa de câmbio. O efeito do dólar no IPA é na veia", disse a economista Basiliki Litvac, da MCM Consultores. A expectativa dela é de que o dólar caro continue pressionando a inflação ao produtor e apareça com mais evidência nos preços do varejo.