terça-feira, 9 de junho de 2015

Revisão de instalações elétricas reduz consumo de energia
Emerson F. Tormann15:46

Além da economia na conta de luz, o serviço proporciona mais segurança ao usuário e ao patrimônio

Não há dúvidas de que o avanço da tecnologia e o maior poder aquisitivo da população brasileira transformaram a forma de consumir energia. Uma casa, por exemplo, dimensionada há vinte anos para um chuveiro e uma geladeira, precisa hoje sustentar inúmeros aparelhos elétricos.


“Com instalações subdimensionadas, há mais cargas do que foi projetado. Daí as fiações não atendem mais o nível de consumo e sofrem aquecimento, colocando o local em risco de incêndios e desperdiçando energia”, analisa Edison Motoki, professor de Engenharia Elétrica da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Dentro desse panorama, a revisão de instalações elétricas torna-se essencial. Sua função é identificar alimentadores, circuitos, quadros elétricos, tomadas e outros elementos incompatíveis para atender às novas demandas de consumo, seja em projetos residenciais, comerciais ou industriais. “Revisar as instalações e fazer manutenções periodicamente garante redução de gastos com investimentos e consumo. É como a revisão de um carro”, compara o professor.

VANTAGENS

Segurança – “O primeiro e mais importante benefício de uma revisão é o aumento da segurança das pessoas e do patrimônio, e isso não tem preço nem taxa de retorno de investimentos, pois envolve vidas”, defende Hilton Moreno, diretor da Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade) e membro do Comitê Brasileiro de Eletricidade da ABNT.

Moreno diz, também, que a revisão pode gerar um efeito econômico positivo, reduzindo o consumo de energia elétrica da instalação. “Dependendo da extensão desta revisão e do tamanho e idade do imóvel, a economia pode ser de até 10% no valor total da conta de energia”.

Redução no consumo – Existem dois motivos que garantem a redução no consumo de energia. O primeiro consiste na troca de produtos velhos por novos, que apresentam menores índices de perdas. “Essa redução pode ser devido à troca de condutores elétricos, que já não estão adequados, ou pelo aumento de seção nominal conforme o consumo atual de energia de cada circuito da instalação”, cita Volyk.

O segundo motivo refere-se a novas tecnologias, como uso de lâmpadas LED, motores de alto rendimento e inversores de frequência para a partida de motores. Segundo a Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção), a revisão das instalações elétricas, somada à substituição das lâmpadas atuais pelas de LED pode ocasionar uma economia média de 30% na conta de energia.

“Não é possível estimar a redução global no consumo de energia, pois ela varia caso a caso em função dos produtos e equipamentos presentes na instalação”, considera Moreno.

QUANDO REVISAR

1. Por tempo de uso
Produtos utilizados nas instalações elétricas envelhecem com o tempo e, progressivamente, perdem sua vida útil. Durante esse processo, podem ocorrer falhas de funcionamento, perdas de energia e outras inconveniências que afetam a segurança das pessoas e do patrimônio, além de elevar os custos operacionais da edificação. “É neste contexto que realizar uma revisão e atualização das instalações elétricas torna-se muito importante”, esclarece Moreno.

“Dependendo da extensão desta revisão e do tamanho e idade do imóvel, a economia pode ser de até 10% no valor total da conta de energia”. Hilton Moreno

Normativamente falando, não existe um prazo pré-estabelecido para revisar instalações elétricas. Consensualmente, é recomendado fazer a cada cinco ou seis anos. “Dependerá de fatores como data da construção, quantidade de equipamentos utilizados, sinais de problemas e condições dos materiais que compõem a instalação”, especula Nelson Volyk, engenheiro eletricista e gerente de Engenharia de Produto da SIL Fios e Cabos Elétricos.

“Uma primeira revisão deve ser feita no décimo ano da instalação e, depois disso, a cada cinco anos. Nos casos comerciais e industriais deve ser elaborado um plano específico”, recomenda Moreno. “Vale lembrar que os problemas com a energia elétrica nem sempre são visíveis, sendo percebidos somente na ocorrência de algo mais grave”, ressalta Volyk.

2. Por aumento de consumo
A elevação do consumo de energia sem razão aparente também serve para mensurar a necessidade de uma revisão. “Se o histórico de alguns anos indica uma média regular e se não houve mudanças na quantidade e potência dos equipamentos da instalação, não haveria motivo para que o consumo aumentasse de uma hora para a outra”, contesta o diretor.

“A redução no consumo de energia pode ser devido à troca de condutores elétricos, que já não estão adequados, ou pelo aumento de seção nominal conforme o consumo atual de energia de cada circuito da instalação”. Nelson Volyk

“Se isso acontecer, há uma chance deste aumento ter sido provocado pelo aumento da corrente de fuga dos componentes da instalação elétrica, como se fossem vazamentos de água por um cano, e isso seria resolvido com uma revisão da instalação elétrica”, completa.

Para que essa análise seja precisa, é necessário ter um histórico e informações referentes ao tipo de consumo do local. Sem isso, o simples aumento da conta de energia não tem relação com a necessidade de revisão das instalações.

COMO SE FAZ

A revisão das instalações elétricas é a mesma para qualquer tipo de ocupação, seja ela comercial, residencial ou industrial. “O que varia é a quantidade e potência dos equipamentos instalados, o que pode resultar em maiores ou menores tempos para a realização da inspeção”, observa Moreno.

Segundo Volyk, a quantidade de quadros também faz diferença entre as instalações. “Em uma residência temos apenas um quadro de distribuição. Já em um comércio temos um ou mais que se assemelham a uma instalação residencial com 110V ou 127V e 220V. Em uma instalação industrial há mais de um quadro de distribuição e cargas bem maiores, além da energia elétrica geralmente ser trifásica”, aponta.

1. Análise do quadro de distribuição
O passo a passo do serviço consiste em uma análise geral e teórica do quadro de distribuição, para verificar quantos circuitos existem e se o número é compatível com o local. Depois, é feita uma análise individual de cada circuito, para observar o valor nominal do disjuntor e a seção nominal do condutor ligado a ele e ao circuito. “Em alguns casos identificam-se falhas de projeto ou erros de instalação, que neste momento devem ser corrigidas”, explica Volyk,

2. Inspeção de cabos, tomadas e interruptores
Após essa etapa de análises, toda a instalação deve ser inspecionada: cabos, tomadas, interruptores e demais dispositivos, assegurando o bom funcionamento do sistema e a segurança dos usuários e do patrimônio.

“Materiais de má qualidade, dimensionamento incorreto ou instalações muito antigas podem provocar aquecimento e fuga de energia, excesso de gastos, danos, acidentes e, em casos mais graves, curtos-circuitos e incêndios”, adverte o engenheiro eletricista.

3. Identificação dos produtos a serem trocados
Após a revisão — com mão de obra especializada —, deve-se identificar produtos a serem trocados ou apenas reparados, como seria o caso de aperto de parafusos que fixam os condutores elétricos em disjuntores, tomadas e interruptores. Refazer emendas e conexões garante que os pontos não gerem perdas elétricas.

4. Ensaios
As instalações elétricas de baixa tensão (até 1.000V) devem ser feitas conforme a norma ABNT NBR 5410, enquanto as instalações de média tensão (de 1.000V até 36.200V) devem atender à ABNT NBR 14039. “Dentro desses documentos encontra-se a descrição dos principais pontos a serem verificados em uma instalação elétrica, que são divididos em duas grandes vozes: inspeção visual e ensaios (testes)”, revela o diretor da Abracopel.

É BOM SABER

O consumo é calculado pela multiplicação da potência do equipamento (Watts) pelo tempo em que ele fica em operação (horas). Os fatores não são afetados pela tensão elétrica (voltagem). “O que muda conforme a voltagem é a tarifa de energia (R$/kWh), que depende da classe de tensão de fornecimento (baixa tensão, média tensão, alta tensão)”, explica Moreno.

Consumo de energia

Consumidores residenciais, por exemplo, são alimentados em baixa tensão e pagam o mesmo valor de tarifa (R$/kWh), independentemente de usarem equipamento em 127V ou 220V. “Um chuveiro elétrico de 7.500W vai consumir a mesma energia se for 110V ou 220V”, exemplifica Volyk.

Fonte: www.aecweb.com.br


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Sobre o blogueiro Emerson F. Tormann Possuo conhecimentos avançados em engenharia de redes de computadores e infra estrutura de servidores (o famoso CPD). Cabeamento estruturado: lógica, elétrica estabilizada (nobreak/gerador) e telefonia (centrais telefônicas). CFTV e sistemas de monitoramento e inspeção remotos. Facebook e Twitter