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| Técnico em Microrredes e Energias Renováveis: O novo perfil profissional exigido pela descarbonização da indústria |
Painel Senai na COP30 apresentou o futuro da educação profissional para promoção de empregos verdes
No epicentro das discussões climáticas globais, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) serviu de palco para um alerta decisivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do SENAI: a sustentabilidade não é apenas uma meta ambiental, mas o motor de uma revolução na educação profissional brasileira. Em painel realizado no estande da CNI, especialistas debateram a urgência de alinhar a formação técnica à "indústria verde", destacando a necessidade de atualização regulatória para garantir a segurança jurídica e a atuação dos novos profissionais.
A "dupla transição" e o novo profissional da indústria
Felipe Morgado, Superintendente de Educação Profissional do SENAI, destacou que o Brasil vive o que chama de "dupla transição": a convergência entre a transformação digital e a transformação verde. Segundo Morgado, o foco atual do SENAI está na reestruturação de currículos para incorporar habilidades em cinco pilares fundamentais: transição energética, economia circular, bioeconomia, descarbonização e transformação digital.
A grande novidade anunciada foi a projeção de demanda para o curso de Técnico Industrial em Microrredes e Energias Renováveis. Segundo dados do Observatório Nacional da Indústria, estima-se que 50% das indústrias brasileiras demandarão profissionais com essa formação específica nos próximos anos, evidenciando a necessidade de uma mão de obra altamente especializada para gerir sistemas de energia de baixo carbono.
Urgência em novas resoluções de atribuições
Um ponto central das discussões no painel da COP30 foi o desafio normativo que acompanha a aceleração da inovação educacional. Com o surgimento de ocupações inéditas, como a de especialista em microrredes, o setor industrial e os órgãos de formação enviaram um sinal claro ao Conselho Federal dos Técnicos Industriais (CFT) sobre a necessidade de novas resoluções que definam, com precisão, as atribuições legais para essas formações emergentes.
Reforçando essa necessidade de sintonia entre a norma e a prática, o Conselheiro Regional do CRT-01, Emerson Tormann, destacou que a agilidade institucional é premissa para o desenvolvimento do setor.
"O CFT deve estar permanentemente atento às constantes inovações do mercado para andar rigorosamente alinhado às novas formações em cursos técnicos, que hoje são impulsionadas pela evolução tecnológica e pelas rigorosas exigências ambientais", afirmou Tormann.
O mercado exige que as resoluções vigentes sejam adequadas à nova realidade de conhecimentos técnicos. Sem essa atualização regulatória por parte do conselho de classe, os egressos dos cursos técnicos enfrentarão barreiras para exercer plenamente suas funções em projetos de alta complexidade ambiental. Esse vácuo normativo pode, em última análise, frear o ritmo da descarbonização industrial no Brasil e restringir as oportunidades de emprego para os jovens em uma economia que não espera pela burocracia.
Desafios globais e o papel dos jovens na economia verde
Moustapha Kamal Gueye, diretor da Organização Internacional do Trabalho (OIT), trouxe números impactantes: a economia verde tem o potencial de gerar 100 milhões de novos empregos até 2030 globalmente. No entanto, ele alertou que cerca de 78 milhões de trabalhadores precisarão passar por processos de requalificação (reskilling) para se manterem no mercado.
Para os jovens brasileiros, o cenário na COP30 aponta para um horizonte de vastas oportunidades. A integração entre tecnologia e preservação coloca o técnico industrial no centro do desenvolvimento econômico. Representantes da Cisco e da agência alemã GIZ reforçaram que toda solução verde requer tecnologia robusta e que a inclusão de novos talentos é a única via para atingir as metas de sustentabilidade.
Contribuição para o desenvolvimento econômico do Brasil
A mensagem é clara, a educação profissional tecnológica é o braço executor das metas climáticas do Brasil. Ao preparar jovens para operar sistemas de energias renováveis e processos circulares, o país não apenas cumpre seus compromissos internacionais, mas ganha competitividade global. O sucesso dessa jornada, contudo, depende de uma força-tarefa entre instituições de ensino, indústria e conselhos profissionais para que a regulamentação das atribuições caminhe no mesmo ritmo da inovação tecnológica.
Confira a íntegra do painel no canal oficial da CNI: COP30 - PAINEL CNI | SENAI: Educação profissional para promoção de empregos verdes


