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| World Economic Forum (Youtube / Reprodução) |
Davos, Suíça – Em um discurso marcante e aplaudido de pé no Fórum Econômico Mundial de 2026, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, lançou duras críticas às relações internacionais entre os blocos econômicos, denunciando o que chamou de "ruptura" no ordem mundial pós-Segunda Guerra.
Carney, ex-governador do Banco da Inglaterra e figura proeminente na economia global, pintou um quadro sombrio de um sistema onde as grandes potências, lideradas pelos Estados Unidos, abandonam as pretensões de um ordem baseado em regras para impor seus interesses de forma cínica e unilateral, explorando nações do Sul Global em detrimento da equidade e da sustentabilidade.
"Os fortes podem fazer o que podem e os fracos devem sofrer o que devem." (Criticando a inevitabilidade da dominação das grandes potências sobre nações mais fracas.)
O premier canadense argumentou que o antigo pacto, no qual países médios como o Canadá prosperavam sob instituições multilaterais como a OMC e a ONU, não mais funciona.
"Vivemos em uma era de rivalidade entre grandes potências, onde a integração econômica é usada como arma, levando à subordinação em vez de benefício mútuo", afirmou Carney, ecoando o historiador grego Tucídides para ilustrar como os fortes impõem sua vontade enquanto os fracos sofrem as consequências.
Ele acusou os EUA e seus aliados de hipocrisia, ao isentarem-se de regras quando conveniente, utilizando tarifas, coerção financeira e vulnerabilidades em cadeias de suprimento para manter a hegemonia.
"Você não pode viver dentro da mentira do benefício mútuo através da integração quando a integração se torna a fonte de sua subordinação." (Denunciando como a integração econômica é explorada para subjulgar países do Sul Global.)
Carney destacou o impacto sobre o Sul Global, implicando que essas nações são as mais vulneráveis à exploração, forçadas a uma integração que as torna dependentes e subordinadas, sem reciprocidade verdadeira.
"Os hegemonistas não podem monetizar indefinidamente suas relações", alertou, criticando a transacionalidade das alianças ocidentais que priorizam interesses nacionais sobre princípios compartilhados.
Em vez de nostalgia pelo antigo sistema, Carney defendeu um "realismo baseado em valores" para potências médias: autonomia estratégica em energia, minerais críticos e IA, aliada a coalizões flexíveis que rejeitem o cinismo e promovam soberania, direitos humanos e desenvolvimento sustentável.
"Essa ficção foi útil e a hegemonia americana em particular ajudou a fornecer bens públicos... Então colocamos a placa na janela. Participamos dos rituais e em grande parte evitamos apontar as lacunas entre retórica e realidade." (Acusando os EUA e aliados de hipocrisia cínica ao manter uma ordem falsa baseada em regras.)
O discurso, proferido em meio a tensões globais como a crise na Ucrânia e disputas no Ártico, incluindo oposições canadenses a tarifas americanas sobre Groenlândia, posiciona o Canadá como líder em diversificação comercial e defesa reforçada.
"Quando potências médias criticam a intimidação econômica vinda de uma direção, mas ficam em silêncio quando vem de outra, estamos mantendo a placa na janela." (Condenando a indignação seletiva em relação à exploração de nações vulneráveis.)
Carney propôs ações concretas, como clubes de compradores de minerais no G7, pontes comerciais plurilaterais e cooperação em IA com democracias alinhadas, para contrabalançar a dominação de superpotências. "Se não estivermos à mesa, estaremos no menu", resumiu, enfatizando a necessidade de pragmatismo sem comprometer princípios.
"Hegemons não podem continuamente monetizar seus relacionamentos." (Criticando diretamente os EUA por explorarem alianças de forma transacional, sem reciprocidade.)
A recepção foi efusiva, com aplausos prolongados, sinalizando ressonância entre líderes empresariais e políticos presentes. Analistas veem o pronunciamento como um chamado à ação para reformar o multilateralismo, em um momento de fragmentação global exacerbada por crises financeiras, sanitárias e energéticas. Carney concluiu otimista: da fratura atual, pode emergir um sistema melhor, ancorado na resiliência e na realidade, não em ficções obsoletas.


