sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Lei que obriga apresentação de laudo Técnico das Instalações Elétricas é um retrocesso
Emerson Tormann21:26


Circula nas redes sociais uma discussão sobre a efetividade de um projeto de lei que pretende assegurar o bom funcionamento das redes elétricas residenciais e comerciais. Ao assistir os videos do Youtube, [https://youtu.be/5SjnkyGskrg] e [https://youtu.be/lyqDr3-KiwE] fica claro que essa lei não deve prosperar...

Não há necessidade de lei obrigando a emissão de Laudo Técnico das Instalações Elétricas visto que já existe responsabilidade profissional condicionada à lei que regulamenta as atribuições de engenheiros e técnicos. As verificações periódicas dos sistemas são recomendadas pelas normas e deveriam ser aconselhadas pelos profissionais (TODOS) sempre que uma nova instalação ou manutenção são feitas em redes elétricas.

Por outro lado cabe ao dono do imóvel e/ou síndico (administrador / gestor condominial) solicitar vistorias e inspeções seguindo as instruções dos manuais do proprietário e normas técnicas. Logo, relatórios e laudos são uma consequência de um trabalho bem realizado pelo síndico ou gestor condominial no qual o técnico é contratado para avaliar e atestar as condições do sistema.

Garantir a qualidade e a segurança das instalações elétricas é sinônimo de responsabilidade - tanto do gestor quanto do profissional - e uma prova da competência de ambos e conhecimento da legislação vigente...

Também podemos atrelar a exigência de atestado, certificação e laudo técnico para fins de seguro (também obrigatório), habite-se, vistoria dos bombeiros, etc., etc.. Enfim, para garantir a segurança do imóvel. Mas isso tem que partir do proprietário em decorrência das exigências legais vigentes (e da conscientização já mencionada). Não o contrário, pois assim estaremos subvertendo o sistema para incentivar ainda mais a INDÚSTRIA DE LAUDOS!!!

Tem uma turma de engenheiros que está sempre se nivelando por baixo. Estão a todo tempo querendo fazer reserva de mercado e mendigando emprego por meio de projetinhos de lei que não vingam. E quando vingam, fica evidente qual era a real intenção. E a desculpa é sempre a mesma: de que estão preocupados com a segurança da população... Uma vergonha para a Engenharia!

O mais prudente (na minha opinião), e o que realmente deveríamos estar discutindo é a mudança de cultura. A cultura do ‘menor preço’! Deveríamos estar combatendo os maus profissionais que queimam o mercado e pessoas não habilitadas que insistem em realizar tarefas de engenheiros e técnicos. Querer realizar serviços que exigem responsabilidade e registro profissional sem ser habilitado é exercício ilegal da profissão e deve ser evitado pelo gestor e combatido / denunciado pela sociedade.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

ABNT NBR 16747 - Inspeção Predial - Diretrizes, conceitos, terminologia, requisitos e procedimento
Emerson Tormann21:32


Está acontecendo uma discussão a respeito da confecção da norma de inspeção predial em que um grupo de profissionais questiona a idoneidade de quem está na comissão de elaboração do texto base da NBR 16747.

A discussão sobre a qualidade dos profissionais é muito saudável, mas não concordo com as afirmações do nobre colega Engenheiro Daniel feitas aí no vídeo do Youtube. [https://youtu.be/K2sDdEjsvgA]

Primeiro ponto a destacar é que em nenhum momento a norma restringe a inspeção predial ao profissional engenheiro civil. Li e reli a norma e não encontrei nada que diga que é uma atividade exclusiva de engenheiro civil. Além disso, qualquer pessoa pode participar das Comissões de Estudos da ABNT. Existem os convidados, aqueles profissionais que naturalmente se destacam por sua atuação na Engenharia e os que se dispõem a participar por conta própria. Em ambos os casos, os profissionais devem realmente ir a todas as reuniões na condição de voluntários, gastando do próprio bolso...

Segundo é que sempre haverá maus profissionais, em qualquer área indistintamente. Realizar projetos, inspeções e laudos imprestáveis faz parte de qualquer profissão. Então podemos dizer que qualquer profissional erra, seja engenheiro civil, elétrico, mecânico e etc. Agora não quer dizer que todos são ruins e sem caráter.

Com relação a confecção da Norma, tenho certeza que a maioria lá são profissionais competentes e respeitados. Desprovidos de interesses pessoais e que querem realmente contribuir para que as normas saiam justamente desse contexto de interesses, desse círculo vicioso e defendem a sociedade por meio da confecção da norma.

O nobre engenheiro afirma também que não tem ninguém da elétrica... Ora amigos, todos nós sabemos que para participar da confecção de uma norma é preciso gastar algum dinheiro. É preciso participar efetivamente estando presente em todas as reuniões da ABNT. E ser voluntário deve ser o motivo pelo qual alguns não vão. Mas há sim a presença de arquitetos e profissionais de outras áreas que não somente engenheiros civis.

Além disso, todos aqueles que tentaram direcionar o texto base da norma com algum interesse (os ditos picaretas) acabaram desistindo de ir nas reuniões porque viram que não tinham espaço. Foram rechaçados categoricamente pela maioria que percebeu a malandragem e não permitiu que a picaretagem prosperasse.

Se quisessem discutir e participar da elaboração do texto base de forma saudável, poderiam ter feito por meio de contribuição durante a consulta pública, que já houve e encerrou no dia 14/02. Mas agora que os trabalhos já estão bem avançados, é muito fácil criticar negativamente e botar defeito. Mais uma forma de se "promover"...

Por fim, e não menos importante, percebe-se que alguns profissionais, querendo autopromoção, vão a uma única reunião da ABNT, tiram fotos e as divulgam dando a entender que estão na comissão de atualização da Norma. Depois têm a cara de pau de dizerem que participaram de toda a confecção da Norma. Lamentável...

Tem uma turma de engenheiros que está sempre se nivelando por baixo. Estão sempre querendo fazer reserva de mercado e mendigando emprego por meio de projetinhos de lei... Uma vergonha para a Engenharia!
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