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| Foz do Iguaçu (PR), 17/07/2025 - Vista externa, comportas da usina hidrelétrica Itaipu Binacional. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil |
O Retrospecto de 2025: O Peso do Clima e a Interiorização
O Brasil inicia 2026 em uma encruzilhada energética fascinante. Após um 2025 marcado por extremos climáticos e uma reorganização silenciosa do mercado, o setor elétrico brasileiro agora se prepara para um salto de demanda que promete testar a resiliência da nossa infraestrutura. Se o ano passado foi o ano da "estabilidade resiliente", 2026 desenha-se como o ano da retomada industrial verde.
O fechamento dos dados de 2025 revelou um crescimento nacional modesto de 0,2% no acumulado do ano, totalizando 562,7 mil GWh. À primeira vista, o número parece tímido, mas ele esconde picos históricos provocados por ondas de calor que levaram o Sistema Interligado Nacional (SIN) ao limite em diversos meses.
O grande destaque regional foi o Centro-Oeste, que registrou uma alta expressiva de 5,5% em dezembro. Esse avanço não é por acaso: ele reflete o vigor do agronegócio e uma urbanização acelerada que demanda cada vez mais energia para climatização. Outro marco simbólico e estrutural foi a consolidação de Roraima no SIN, encerrando décadas de isolamento energético e impulsionando o consumo na região Norte.
Motores de 2026: Quem puxa o consumo?
Se em 2025 o setor residencial segurou as pontas, as projeções para 2026 indicam uma mudança de bastão. O mercado espera um perfil de consumo mais diversificado e robusto:
- Indústria (O Retorno do Gigante): Após um período de retração em setores eletrointensivos, a indústria deve retomar o protagonismo. A aposta está na recuperação da mineração, siderurgia e construção civil, amparada por programas de incentivo à produção nacional.
- Comércio (Digital e Climatizado): O setor continuará sua trajetória de alta. O avanço do varejo digital exige centros logísticos cada vez mais automatizados, enquanto as temperaturas elevadas mantêm a demanda por refrigeração comercial em patamares elevados.
- Residencial (Conectividade e Eficiência): O consumo doméstico segue crescendo, mas agora focado na "casa inteligente". O aumento da penetração de sistemas de automação e eletrodomésticos inteligentes redefine o perfil de carga das cidades.
Faca de dois gumes das renováveis
O Brasil ostenta uma das matrizes mais limpas do planeta, com mais de 84% da capacidade instalada vinda de fontes renováveis. Em 2026, a expansão da energia solar e eólica é a nossa maior garantia de segurança energética, reduzindo drasticamente a dependência das hidrelétricas em períodos de seca.
No entanto, essa transição tem um custo que começa a pesar no bolso do consumidor. Embora o "combustível" (vento e sol) seja gratuito, a integração dessas fontes intermitentes ao sistema exige investimentos vultosos em transmissão e subsídios.
O Alerta Tarifário: Para 2026, o orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) foi fixado em R$ 52,7 bilhões, um salto de 7% em relação ao ano anterior. Esse valor é um dos principais responsáveis pela pressão nas contas de luz.
Ações governamentais e o futuro da indústria
Para sustentar esse crescimento sem comprometer a competitividade, o governo federal acelerou uma série de medidas estratégicas:
- Leilões de Transmissão: Foco em "escoar" a energia limpa produzida no Nordeste para os centros de consumo no Sudeste e Sul.
- Incentivos à Descarbonização: Linhas de crédito para indústrias que adotarem tecnologias de baixo carbono.
- Programa de Transição Energética Justa: Apoio às regiões antes dependentes de combustíveis fósseis.
Síntese do cenário 2026
| Indicador | Status | Impacto Esperado |
|---|---|---|
| Consumo 2025 | +0,2% (562,7 mil GWh) | Estabilização pós-crise |
| Líder de Demanda 2026 | Indústria | Retomada do PIB industrial |
| Matriz Elétrica | > 217 GW instalados | Alta segurança energética |
| Desafio Tarifário | CDE de R$ 52,7 bi | Pressão no custo de vida |
Em suma, o setor elétrico brasileiro em 2026 reflete um país que aprendeu a gerar energia limpa, mas que ainda luta para equilibrar o custo dessa modernização. A eficiência na gestão dos encargos será o fiel da balança para que o crescimento continue sustentável.


