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| Especialista detalha no PodHeitor como a união de RPA e Inteligência Artificial está eliminando o trabalho manual e erros no Contas a Receber / Reprodução Youtube |
Em entrevista exclusiva ao PodHeitor, Sérgio Souza, da HDB Systems, detalha a evolução dos chatbots para "Agentes Inteligentes" e explica como a tecnologia está assumindo a complexidade do Contas a Receber.
O setor financeiro vive um ponto de inflexão. Se na última década a automação significava macros de Excel e scripts rígidos, o final de 2025 consolida a era dos Agentes de IA. Foi este o tom da conversa com Sérgio Souza, especialista em Automação e Inteligência Artificial e líder da HDB Systems, durante sua participação nesta terça-feira (03) no podcast PodHeitor.
Com mais de uma década de experiência integrando tecnologias como RPA (Automação Robótica de Processos) e Machine Learning, Sérgio desmistificou o hype em torno da IA generativa e apresentou soluções práticas que prometem aposentar o trabalho manual em departamentos de Contas a Receber.
Muito além do chatbot: O conceito de "agente"
Uma das distinções centrais feitas por Souza logo no início da transmissão foi a diferença entre um chatbot tradicional e um agente de IA.
"O chatbot é um sistema de pergunta e resposta. Já o agente entende um objetivo, planeja as ações e executa tarefas," explicou Sérgio.
No contexto financeiro, isso significa que a IA não apenas responde "qual é o saldo?", mas é capaz de cruzar dados, identificar padrões e executar fluxos complexos de trabalho sem supervisão constante.
Desafio da alucinação e o motor de cálculo
Um dos pontos marcantes da entrevista foi a abordagem técnica sobre como evitar que a Inteligência Artificial "alucine" — invente dados ou erre contas matemáticas, um problema comum em modelos de linguagem (LLMs) puros.
Para o sistema de Contas a Receber desenvolvido pela HDB Systems, Sérgio detalhou uma arquitetura híbrida. Quando um gestor financeiro pergunta, em linguagem natural, "Qual o percentual de faturas vencidas e o valor correspondente?", o agente não faz a conta de cabeça.
- Interpretação: A IA traduz a pergunta do usuário para uma consulta técnica (query).
- Cálculo Preciso: Essa consulta é enviada a um motor de cálculo externo, que processa os dados com precisão matemática (determinística).
- Análise: O agente recebe os números exatos e, então, usa sua capacidade linguística para analisar o cenário, explicar as variações e sugerir ações.
Métricas que importam: DSO e aging
A aplicação prática dessa tecnologia mira nos indicadores vitais da saúde financeira, como o DSO (Days Sales Outstanding — prazo médio de recebimento) e o Aging (envelhecimento da dívida).
Segundo Souza, a IA permite uma granularidade de análise impossível para humanos em grandes volumes de dados. O sistema pode varrer milhares de faturas em segundos e identificar, por exemplo, que um grupo específico de clientes mudou seu comportamento de pagamento no último trimestre, alertando o gestor antes que a inadimplência se concretize.
RPA morreu? Convergência para a APA
Questionado sobre o papel da Automação Robótica de Processos (RPA) em um mundo dominado por IA, Sérgio foi categórico: o RPA não morreu, ele evoluiu.
"A IA não é determinística. Quando você precisa de 100% de garantia que uma tarefa repetitiva seja feita exatamente daquela forma, o RPA ainda é a melhor solução," afirmou.
A tendência para 2025 e além é a APA (Agentic Process Automation), a união da robustez do RPA com a flexibilidade cognitiva da IA. Enquanto o robô clica e processa, a IA toma decisões sobre exceções e dados não estruturados.
Segurança e compliance: Conectores locais
Em tempos de LGPD e rigidez fiscal, a segurança dos dados financeiros é crítica. Sérgio explicou que a solução da HDB Systems utiliza conectores locais (on-premise) que criptografam os dados antes de enviá-los para análise na nuvem, ou até mantêm o processamento inteiramente na infraestrutura do cliente, garantindo que informações sensíveis de faturamento nunca trafeguem expostas.
Negociação autônoma e o papel humano
Olhando para o futuro próximo, o roadmap da HDB Systems inclui agentes com capacidade de negociação autônoma. A IA poderá não apenas notificar um devedor, mas entrar em uma árvore de negociação, oferecendo parcelamentos e descontos pré-aprovados pelas regras da empresa.
Sobre o impacto no mercado de trabalho, Sérgio adotou uma postura realista. Ele vê a IA reduzindo drasticamente o trabalho operacional e braçal, mas elevando a barra para os profissionais. "O papel humano muda de função. A IA atua como um auxiliar para que o analista possa focar em estratégia, e não em preencher planilhas," concluiu.
Para saber mais:
A HDB Systems está disponibilizando a solução em formato SaaS, visando democratizar o acesso também para pequenas e médias empresas que ainda dependem do Excel.
Para assistir à entrevista completa e ver a demonstração da ferramenta em tempo real, assista ao vídeo acima ou acesse o canal do PodHeitor no YouTube.


