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| Ciência em crise: Argentina perde mais de 10.000 cientistas sob Milei - (imagem de IA) |
Rotulados de "terroristas" pelo presidente autointitulado anarcocapitalista, pesquisadores e universidades enfrentam um desmonte institucional sem precedentes, marcado pela destruição diária de postos de trabalho e pela perda irreversível de cérebros
A escalada autoritária e ideológica do governo de Javier Milei contra a infraestrutura do conhecimento na Argentina atingiu um ponto crítico. Em recentes declarações públicas, o presidente autointitulado anarcocapitalista proferiu ataques diretos à comunidade acadêmica, acusando professores, pesquisadores e estudantes de atuarem como "terroristas disfarçados" infiltrados no sistema de ensino e pesquisa público.
A retórica, que busca fundamentar uma suposta "guerra cultural", provocou repúdio imediato e expôs a gravidade de um projeto de Estado que combina a desqualificação pública com a asfixia orçamentária do setor científico.
Em resposta veemente às agressões, a Rede de Diretores dos Centros Científicos e Tecnológicos do CONICET (Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas) divulgou uma declaração oficial rejeitando categoricamente as falas do mandatário. O posicionamento destacou que as acusações não constituem apenas "uma agressão infundada e maliciosa", mas sim "um ataque institucional de extrema gravidade ao sistema científico, estudantes argentinos de tecnologia e universidades públicas".
Na mesma linha, pronunciamentos da Faculdade de Ciências Exatas e Naturais da Universidade de Buenos Aires (UBA) ressaltaram que a tática de estigmatizar acadêmicos como alvos subversivos resgata narrativas sombrias utilizadas no período da ditadura militar argentina, ferindo o pacto democrático e desrespeitando uma tradição científica que rendeu ao país cinco Prêmios Nobel.
Radiografia do desmonte: Sete cientistas perdem o emprego por dia
Para além do embate discursivo, levantamentos do Grupo de Economia Política e Ciência (EPC) revelam que a estigmatização atua como cortina de fumaça para a destruição acelerada da infraestrutura de pesquisa do país. Segundo dados expostos na reportagem:
- Destruição de empregos: Desde o início da gestão de Milei, em dezembro de 2023, mais de 6.400 postos de trabalho foram destruídos no setor de ciência e tecnologia. Isso equivale a uma média estarrecedora de 7 cientistas e técnicos demitidos por dia.
- Gargalo no CONICET: O principal organismo de fomento científico do país já perdeu 2.051 profissionais. Ademais, centenas de bolsistas pós-doutorais e pesquisadores aprovados em concursos públicos encontram-se em um "limbo" administrativo desde o esgotamento de suas bolsas, sem contratação efetiva nem perspectiva de renovação.
Impacto nos principais organismos científicos
| Instituição / Organismo | Cortes / Vagas Perdidas |
|---|---|
| CONICET (Pesquisa Científica) | -2.051 profissionais |
| INTA (Tecnologia Agropecuária) | -884 empregos |
| INTI (Tecnologia Industrial) | -861 empregos (+700 sob risco de reestruturação) |
| CNEA (Energia Atômica) | -592 empregos |
| Serviço Meteorológico Nacional (SMN) | -319 profissionais |
Apagão estratégico e fuga de cérebros
O enxugamento afeta diretamente órgãos essenciais para o desenvolvimento soberano e a segurança nacional argentina. A paralisia atinge áreas estratégicas como o monitoramento climático — fundamental para a prevenção de desastres e apoio ao agronegócio —, a tecnologia industrial e a segurança energética nuclear.
A política do governo ultraliberal contraria o próprio discurso de aproximação com potências globais como Alemanha e Estados Unidos, países que fundamentam sua liderança econômica em pesados investimentos públicos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Como consequência direta, a Argentina enfrenta uma acelerada "fuga de cérebros", forçando doutores e especialistas qualificados a emigrar para o exterior.
O país abre mão do retorno sobre o investimento público feito na formação desses profissionais, condenando-se à dependência tecnológica e à importação de soluções que antes eram desenvolvidas em solo nacional.
Assista à reportagem completa do canal Argentina 12 (AR12):

