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Brasil e Japão vão cooperar em descarbonização industrial e bioeconomia

03-05-2024 Vice Presidente da República Geraldo Alckmin durante Cerimônia de assinatura de atos e declaração conjunta à imprensa, Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e Primeiro Ministro do Japão, Fumio Kishida no Palácio do Planalto em Brasília. Foto: Cadu Gomes/VPR
03-05-2024 Vice Presidente da República Geraldo Alckmin durante Cerimônia de assinatura de atos e declaração conjunta à imprensa, Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e Primeiro Ministro do Japão, Fumio Kishida no Palácio do Planalto em Brasília. Foto: Cadu Gomes/VPR

Descarbonização, economia circular, mobilidade verde e bioeconomia são indicadas como oportunidades de negócios


Por Nayara Machado - EPBR

O governo brasileiro assinou nesta sexta (3/5) um acordo de cooperação industrial com o Japão com foco na economia verde. Transição energética e mudanças climáticas integraram a agenda do primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, em visita ao Brasil esta semana.

Assinado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, e o ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão, Ken Saitô, o documento sobre cooperação industrial aborda descarbonização, economia circular, mobilidade verde e bioeconomia como oportunidades de negócios, assim como economia digital e desenvolvimento de cadeias de valor global.

“O acordo tem como uma das principais metas elevar a cooperação industrial entre os dois países a uma nova dimensão, focando não apenas na quantidade, mas também na qualidade das parcerias”, diz o MDIC em nota.

A intenção, segundo o governo brasileiro, é incentivar a transferência de tecnologia e promover o desenvolvimento local de pesquisa, inclusive ampliando o diálogo regulatório.

Faz parte do esforço da gestão Lula 3 de atrair parceiros com recursos para investir em áreas consideradas estratégicas para o plano de neoindustrialização do país.

A visão é que o Brasil, assim como outros países da América do Sul e África – historicamente explorados – deve aproveitar sua posição estratégica como fornecedor de insumos para transição energética.

É um momento chave: o planeta está aquecendo e chegando a um ponto de não retorno, com prejuízos trilionários. Os países ricos e industrializados estão despejando subsídios para fortalecer seus mercados domésticos na corrida pela transição energética, mas eles vão precisar de energia e minerais de países emergentes – que tentam alavancar suas próprias indústrias.

Indústria verde

Descarbonização, biomanufatura e certificações socioambientais são três iniciativas que tendem a ajudar a indústria brasileira a entrar em uma nova fase, aponta um estudo lançado esta semana pelo Instituto Veredas junto com a Fundação Arymax, B3 Social, Instituto Golden Tree e Instituto Itaúsa.

As emissões de gases de efeito estufa relacionadas à energia e processos industriais têm aumentado ao longo dos anos. Em 2021, alcançou a marca de 543 MtCO2e, o que representa 22% das emissões brasileiras.

Siderurgia, mineração, produção de cimento e petroquímica estão entre os setores de maior impacto – e são os mais difíceis de descarbonizar, porque dependem fortemente de combustíveis fósseis.

O estudo (.pdf) aponta que, embora o PIB da indústria brasileira tenha crescido ao longo da última década em termos absolutos, sua participação no PIB nacional está em trajetória de queda desde meados da década de 1980 (de 46,3% em 1989 para 23,9% em 2022).

Nesse período, a eficiência energética e de produtividade material avançou pouco. Segundo o Atlas da Eficiência Energética do Brasil publicado em 2023, entre 2005 e 2021, a indústria teve um ganho de 5% de eficiência, enquanto os setores de transporte e residencial tiveram ganhos de 18%.

Para mudar esse quadro e destravar o potencial tão propagandeado da chamada indústria verde, o país precisará avançar em alguns temas como mercado de carbono e incentivo à demanda por produtos mais sustentáveis. Mas não é só.

Os analistas apontam que é preciso uma visão bastante ampla e inclusiva, sob o risco de que essa corrida neoindustrial exclua micro e pequenas empresas (MPEs) que não forem capazes de acompanhar a transição e monopolize o conhecimento tradicional sobre o uso da biodiversidade.

Neste sentido, recomenda ações que fomentem a transição em MPEs, fortalecimento do ambiente regulatório para estimular investimentos e formalização de empresas de economia circular; além de parcerias entre comunidades fornecedoras de insumos e empresas que garantam a repartição justa de benefícios.
Emerson Tormann

Técnico Industrial em Elétrica e Eletrônica com especialização em Tecnologia da Informação e Comunicação. Editor chefe na Atualidade Política Comunicação e Marketing Digital Ltda. Jornalista e Diagramador - DRT 10580/DF. Sites: https://etormann.tk e https://atualidadepolitica.com.br

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