quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Empresas fazem esforço para driblar alta na conta de luz
Emerson F. Tormann17:05

Após aumento de 45,98%, companhias investem em fontes alternativas e eficiência energética


Com a conta de luz nas alturas, não são apenas os consumidores residenciais que estão economizando. As maiores empresas do país adotaram uma série de iniciativas para driblar o alto custo da energia elétrica. A estratégia envolve a criação de diretorias dedicadas ao tema, caso da Oi, e até o desenvolvimento de grupos de trabalho para ir além da já conhecida troca de lâmpadas, como a Wilson, Sons e o Grupo Pão de Açúcar. Até a CPFL aderiu: a concessionária de energia do interior de São Paulo, que já criou uma subsidiária para oferecer às empresas novas soluções para economizar, prepara, agora, a criação de um novo braço dedicado à energia solar.

Levantamento feito pela consultoria Safira, a pedido do GLOBO, revela que em 2015 a conta de luz industrial subiu, em média, 45,98%. E isso após uma alta média de quase 12% em 2014. Para 2016, o avanço deve ficar entre 5% e 10%, após as reduções dos valores das bandeiras tarifárias e da revisão do orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético ( CDE), um encargo social do setor.

- Não fossem as ações do governo, anunciadas recentemente, a alta oscilaria de 12% a 15%. Esse ano, a Energisa ( na Paraíba) já anunciou alta de 7%. Como o cenário é de alta nos preços, não há saída para a indústria e empresas, a não ser buscar novas soluções e otimizar seus gastos - disse Fábio Cuberos, gerente de Regulação da Safira.

De olho no aumento de 60% em sua conta de luz no ano passado, a Oi decidiu criar uma diretoria de Energia e pretende reduzir a conta em 30%. Em 2015, os gastos com energia somaram R$ 1,1 bilhão, o equivalente a cerca de 750 mil residências. A iniciativa de maior destaque é em energia solar. Marco Norci Schroeder, diretor administrativo- financeiro da Oi, diz que a empresa finaliza este mês o projeto, que inclui a construção de parques solares equivalentes a 370 campos de futebol.

Para isso, vai usar alguns de seus terrenos em Campos, no Rio, e em Belo Horizonte. A iniciativa deve consumir cerca de R$ 1 bilhão. O objetivo é que em meados deste ano o parque solar já esteja em operação. A meta é que ele represente cerca de 15% do consumo total de energia.

- A geração própria é apenas umas das iniciativas. Passamos a comprar energia no mercado livre para aproveitar os preços menores e trocamos as lâmpadas, por versões mais eficientes, em 500 prédios. Passamos a desligar as luzes de várias áreas nos prédios para economizar. Metade dos elevadores é desligada após as 19h. A diretoria de Energia conta com 15 pessoas - explica Schroeder.

Os preços no mercado livre passaram de R$ 822,83 por megawatt ( MW), em julho de 2014, auge da crise hídrica, para R$ 30,25 por MW nas regiões Sul, Sudeste e Centro- Oeste.

A operadora de serviços portuários e marítimos Wilson, Sons criou no ano passado o projeto "Escritório do Futuro". Segundo Simone Prado, gerente da empresa, as ações vão desde troca de lâmpadas a investimentos na compara de equipamentos mais eficientes. A conta de luz já caiu 17% no segundo semestre em relação aos primeiro semestre de 2015.

CORRIDA AO MERCADO LIVRE DE ENERGIA

O Grupo Pão de Açúcar criou o chamado "Comitê de eficiência energética", constituído por membros de diferentes áreas da empresa. Como a energia é uma das cinco principais despesas da companhia, o grupo passou a fazer melhorias em iluminação, refrigeração e automação de ar- condicionado nos hipermercados e a desligar as luzes a partir das 18h nas sedes administrativas.

O custo elevado da energia despertou o interesse até das empresas do setor. A CPFL criará uma subsidiária de energia solar. A aposta ocorre um ano após a criação da CPFL Eficiência, nascida em 2015 para oferecer soluções aos grandes consumidores com o intuito de reduzir a fatura.

- Um dos clientes é a Algar, de telefonia. Instalamos geradores e criamos um projeto baseado na compra de energia no mercado livre. A eficiência energética é pouco difundida entre as empresas - disse Luciano Goulart, diretor da CPFL Eficiência.

Foi a busca pela redução nos custos que fez a Dafiti, gigante do varejo eletrônico, alterar o projeto da construção de um galpão enquanto via a conta de luz mensal subir de R$ 40 mil para R$ 90 mil. Fabrício Alemida, diretor de Operações, destaca que o empreendimento, que estava sendo construído em Minas Gerais, passou por alterações para receber o máximo de iluminação natural, em maio de 2015:

- Adiantamos as análises para ter soluções de geração própria como a solar e a eólica. As ações incluíram iniciativas como a instalação de lâmpadas e sensores de presença. Vamos comprar energia no mercado livre para aproveitar os preços baixos e voltar ao gasto de R$ 40 mil mensais.

A Aegea, empresa de saneamento que atua em vários estados, decidiu antecipar o projeto para gerar energia por meio dos vertedouros de suas barragens, disse Radamés Andrade, diretor de Operações. Já a rede hoteleira Accor, com 223 hotéis no Brasil, intensificará os investimentos para tornar mais eficientes seus equipamentos. Na lista, está a troca do sistema de ar- condicionado e o uso de geradores inteligentes, acionados nos horários de pico. Além disso, vai montar um pool de cinco a seis hotéis para comprar energia no mercado livre.

- Planejamos fazer um segundo lote de hotéis, com unidades do Rio, para ir ao mercado livre. A meta é economizar de 20% a 25% na conta - destacou Paulo Mancio, diretor de Implantação e Construção da Accor Hotels da América do Sul.

A Bayer, que viu a conta de luz pular de R$ 3,5 milhões, em 2014, para quase R$ 6 milhões, em 2015, vai direcionar sua atenção ao mercado livre:

- O ano de 2016 será transitório e em 2017 toda a nossa energia virá do mercado livre. Esperamos obter redução de 20% a 23% em relação ao que temos com contratos de longo prazo - disse Luis Laurine, gerente de Engenharia da Bayer.

Fonte: O Globo - Jornalista Bruno Rosa


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Sobre o blogueiro Emerson F. Tormann Possuo conhecimentos avançados em engenharia de redes de computadores e infra estrutura de servidores (o famoso CPD). Cabeamento estruturado: lógica, elétrica estabilizada (nobreak/gerador) e telefonia (centrais telefônicas). CFTV e sistemas de monitoramento e inspeção remotos. Facebook e Twitter